Em carta, clero católico diz estar sendo criminalizado por defender a Amazônia

O documento reacende um mal-estar entre a Igreja Católica e o governo Jair Bolsonaro que surgiu após o Sínodo para a Amazônia ser criticado por integrantes da administração federal

AmazôniaAmazônia - Foto: Lula Sampaio/AFP

Bispos, padres e religiosos da Igreja Católica na Amazônia divulgaram uma carta nesta sexta-feira (30) na qual afirmam que lideranças religiosas estão sendo criminalizadas e tratadas como "inimigos da pátria" por defenderem a Amazônia.

Na carta, que foi publicada após um encontro realizado em Belém para o estudo do documento de trabalho do Sínodo para a Amazônia, os religiosos também cobram "medidas urgentes" dos governos no combate aos crimes ambientais e às queimadas.

O documento reacende um mal-estar entre a Igreja Católica e o governo Jair Bolsonaro que surgiu após o Sínodo para a Amazônia ser criticado por integrantes da administração federal –eles questionaram a intenção das missões religiosas no Brasil.

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Na carta, os religiosos relembram o histórico da Igreja na região amazônica e lamentam o tratamento que seus líderes vêm recebendo.

"A Igreja Católica desde o século 17 está presente na Amazônia preocupando-se com a evangelização e a promoção humana ao mesmo tempo. Quantas escolas, hospitais, oficinas, obras sociais se construíram e foram mantidas durante séculos em todos os rincões da Amazônia. Vilas e cidades se edificaram a partir das 'missões' da nossa Igreja", afirma o texto.

"Quanto sangue, suor e lágrimas foram derramados na defesa dos direitos humanos e da dignidade, especialmente dos mais pobres e excluídos da sociedade, dos povos originários e do meio ambiente tão ameaçados. Lamentamos imensamente que hoje, em vez de serem apoiadas e incentivadas, nossas lideranças são criminalizadas como inimigos da pátria."

Em outro trecho da carta, eles dizem defender "de forma intransigente" a Amazônia e cobram medidas urgentes para conter o desmatamento, pesca predatória, invasão de terras indígenas por madeireiros, garimpeiros e mineradoras e as queimadas, que vêm provocando uma crise internacional.

Os religiosos ainda abordaram outro tema polêmico para o governo federal: o envolvimento de instituições e governos estrangeiros em projetos realizados no Brasil, até agora rejeitado por Bolsonaro.

"Defendemos vigorosamente a Amazônia, que abrange quase 60% do nosso Brasil.

A soberania brasileira sobre essa parte da Amazônia é para nós inquestionável. Entendemos, no entanto, e apoiamos a preocupação do mundo inteiro a respeito deste macrobioma que desempenha uma importantíssima função reguladora do clima planetário", afirma a carta.

"Todas as nações são chamadas a colaborar com os países amazônicos e com as organizações locais que se empenham na preservação da Amazônia, porque desta macrorregião depende a sobrevivência dos povos e do ecossistema em outras partes do Brasil e do continente", diz o documento, cuja conclusão sugere que o sínodo chega a um "momento crucial da história".

Convocado pelo papa Francisco, o Sínodo para a Amazônia acontece em Roma, de 6 a 27 de outubro.

De acordo com a Rede Eclesial Pan Amazônica, o sínodo é uma reunião do episcopado da Igreja Católica com o papa, em que são discutidos assuntos específicos e pré-determinados, que auxiliarão na governança da instituição.

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