Em protesto, policiais invadem Palácio da Liberdade, sede do governo de MG

Os servidores de Minas Gerais pedem reposição salarial, fim do parcelamento dos salários e pagamento ao instituto de previdência

Palácio da Liberdade, sede do governo de Minas GeraisPalácio da Liberdade, sede do governo de Minas Gerais - Foto: Flickr

Centenas de servidores da segurança pública invadiram na tarde desta quarta (6) a área externa do Palácio da Liberdade, sede do governo de Minas Gerais, na região centro-sul de Belo Horizonte. A categoria afirma que irá acampar no local para cobrar uma negociação com o governador Fernando Pimentel (PT). Há entre os manifestantes policiais civis e militares, bombeiros e agentes carcerários.

Os servidores pedem reposição salarial, fim do parcelamento dos salários e pagamento ao instituto de previdência. Caso não sejam atendidos, há possibilidade de greve. Vamos ficar quantos dias forem necessários até o governador chamar pra conversar. É uma ocupação pacífica, ordeira, tranquila", afirmou o deputado estadual de oposição Sargento Rodrigues (PTB), um dos líderes da manifestação.

Os servidores arrombaram o portão do entorno do palácio e, já na área do jardim, cantaram o hino nacional. Policiais Militares guardam as portas do edifício. O governador Pimentel não estava no local no momento da invasão. O entorno da praça da Liberdade está fechado para os carros e houve confusão quando guardas de trânsito tentaram liberar pistas no início da noite. Os manifestantes gritaram "o palácio é nosso" e "Pimentel ladrão", fazendo carros recuarem.

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Desde o início do protesto, a quantidade de manifestantes caiu pela metade. Para passar a noite, os servidores pedem apoio com barracas, água e lanches -as primeiras barracas, do sindicato de policiais civis, chegaram por volta de 18h. Banheiros químicos também serão providenciados, segundo Rodrigues.

O deputado afirma que a política de Pimentel para a segurança pública é "um desastre completo". "Não é feito o arroz com feijão, que é efetivo, estrutura, armamento, viatura. No interior, falta rádio, falta papel higiênico", diz. Rodrigues diz que houve redução no efetivo da polícia e dos agentes carcerários, além de cortes na verba para o setor. Ele calcula em 25% a perda salarial com a falta de reajuste pela inflação em quatro anos. Além disso, desde 2016, o salário dos servidores é pago de forma parcelada devido à crise financeira do estado.

"Tive que recorrer ao cheque especial e pagar juros altíssimos para pagar o financiamento do meu imóvel, de R$ 1.600 por mês", diz o policial civil Adilson Bispo. "Não tem data certa de pagamento, é atraso em cima do atraso. Está todo mundo com dívida até o pescoço, trocando a data do vencimento do cartão", diz a policial civil Mag Dionísia.

Diretores do sindicato de policiais civis, eles dispuseram quatro barracas no jardim do palácio e afirmam que irão passar a noite ali. Os servidores reclamam ainda que o governo desvia verba destinada ao instituto de previdência, que é descontada na folha de pagamento, mas não é repassada à entidade que cuida do atendimento e convênios de saúde. Segundo Rodrigues, o rombo é de R$ 3 bilhões.

Policial civil há 26 anos em Varginha (MG), Cláudia Márcia, diz que teve o atendimento médico negado em um hospital particular da cidade. "Cheguei com meu filho com asma e não me atenderam porque o governo não repassou a verba para o hospital."

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