Equipes fazem acordo contra lentidão no julgamento de Elize Matsunaga

Previsão inicial era de que o julgamento pudesse ir até sexta (2), data em que termina a reserva do plenário.

Tribunal de Contas da União (TCU)Tribunal de Contas da União (TCU) - Foto: Reprodução/TCU

Integrantes das equipes de defesa e acusação que participam do julgamento de Elize Matsunaga, acusada de matar e esquartejar o marido, em maio de 2012, fizeram um "acordo de cavalheiros" para acelerar o andamento da audiência.

O objetivo é reduzir ao máximo o tempo dos depoimentos das testemunhas convocadas para evitar que o júri se estenda até o final de semana. A previsão inicial era de que o julgamento pudesse ir até sexta (2), data em que termina a reserva do plenário.

Até a manhã desta quarta (30), no terceiro dia de julgamento, foram ouvidas oito testemunhas arroladas pela Promotoria e ainda faltam os depoimentos considerados mais demorados, como o de peritos e legistas.

Por parte da defesa, está previsto também o depoimento do perito Ricardo Salada que, segundo a defesa, pode demorar ao menos seis horas.

Nesta quarta, prestaram depoimento o investigador Fábio Luis Ribeiro e também a prima da vítima, Cecília Nishioka.

Ela disse que a vítima Marcos Matsunaga era educado, carinhoso e um marido que toda mulher gostaria de ter. Cecília afirmou ainda que Elize dissimulou durante o período em que o corpo da vítima estava desaparecido. "Ela manipulou todo mundo", disse.

Ainda faltam 11 pessoas para serem ouvidas. "A proposta que nós fizemos ao juiz é que se evite toda pergunta repetitiva. Perguntou uma vez, pronto. Não se pode repetir a mesma coisa 15 vezes esperando que se fale de outra forma", diz o promotor José Carlos Cosenzo.

O crime

O crime ganhou notoriedade na época não apenas por envolver o empresário, mas pela forma como sua mulher tentou ocultar o cadáver. Após efetuar um disparo na têmpora da vítima, ela dividiu o corpo em seis partes (diz ter usado uma faca de cozinha), colocou-os em malas de viagem (dentro de sacos de lixo) e livrou-se deles numa mata em Caucaia do Alto (na Grande São Paulo).

Ela afirma que agiu no calor de uma das muitas discussões do casal e que foi agredida por ele com um tapa no rosto. Como houve confissão do crime, a tentativa da defesa será tentar afastar as três qualificadoras do homicídio (motivos para agravar a pena) pelas quais ela é acusada: meio cruel (esquartejamento), sem chances de defesa e motivo torpe (teria matado por vingança e pela herança).

Os advogados de Elize dizem haver no processo provas que afastam ao menos duas dessas qualificadoras, em especial sobre o meio cruel. Segundo a defesa, quando houve o esquartejamento a vítima já estava morta. A Promotoria sustenta que ele ainda estava vivo e, por isso, há sinais de sangue no pulmão.

Se condenada por homicídio simples, Elize terá uma pena entre 6 e 20 de prisão. Como está presa há mais de quatro anos e não tem outros antecedentes criminais, ela poderia sair do júri com ordem de soltura por ter cumprido mais de um sexto da pena. A condenação por destruição e ocultação de cadáver, de 1 a 3 anos de prisão, não afetaria muito na contagem.

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