Espírito Santo acusa 703 policiais por crime militar

Esses policiais deixarão de receber salários e escalas extras de sábado (4) ao dia em que voltarem a trabalhar

Policiais Militares do Espírito Santo Policiais Militares do Espírito Santo  - Foto: Divulgação/PMES

Depois de uma semana de motim no Espírito Santo, com homicídios em alta, saques e clima de insegurança nas ruas, 703 PMs foram indiciados sob suspeita de crime militar de revolta, que prevê de 8 a 20 anos de prisão.

Esses policiais (7% do efetivo total, formado por 10 mil) deixarão de receber salários e escalas extras de sábado (4) ao dia em que voltarem a trabalhar, de acordo com o secretário de Segurança Pública, André Garcia, e o comandante-chefe da Polícia Militar capixaba, Nylton Rodrigues.

A decisão foi anunciada nesta sexta (10) após tentativa frustrada de negociação pelo fim do motim no dia anterior e um total acumulado de 127 homicídios em sete dias, conforme levantamento do sindicato dos policiais civis.

O número é quatro vezes a média diária até então. No auge, na segunda (6), chegou a 40 mortes num só dia, contra 16 nesta quinta-feira (9).
O governo do Estado não divulgou balanço –mas admite que os dados oficiais são próximos desses divulgados.

Após dias seguidos de atos violentos no Espírito Santo, o presidente Michel Temer (PMDB) rompeu o silêncio e se pronunciou nesta sexta pela primeira vez sobre o motim.

Em nota divulgada pela Presidência da República, chamou o movimento de "paralisação ilegal" e de "comportamento inaceitável" e disse que o direito à reivindicação "não pode tornar o povo brasileiro refém". A reação tardia do presidente também ocorreu no massacre em um presídio no Amazonas, em janeiro, quando demorou três dias para se pronunciar sobre 56 mortes.

O Palácio do Planalto diz que Temer acompanha "desde os primeiros momentos" a situação capixaba e que determinou o envio de 2.000 homens das Forças Armadas e da Força Nacional "para reestabelecer a lei e a ordem".

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, viaja para Vitória neste sábado (11) para discutir com o governo do Espírito Santo formas usadas em outros Estados para acabar com o motim de PMs.

Os policiais pedem agora 20% de reajuste imediato e 23% escalonados. A gestão Paulo Hartung (PMDB) afirma não ter condições de conceder aumento salarial, sob pena de descumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Além da punição aos policiais, o governo estadual disse que as mulheres deles, linha de frente do movimento (para não expor a categoria, que é proibida de fazer greve), estão sendo identificadas e poderão ser responsabilizadas por processo civil.
"Esgotamos a capacidade de diálogo", disse o secretário Garcia. Ele disse que há uma força-tarefa na Corregedoria para dar celeridade ao processo de responsabilização dos policiais militares.

Uma condenação superior a dois anos de prisão gera a exclusão dos PMs da corporação. Ou seja, caso sejam condenados, estarão automaticamente excluídos. Os policiais envolvidos, segundo o governo, são em sua maioria novatos. O cargo mais alto atingido é o de subtenente.

O Estado fez ainda um apelo para que a população volte "a vida normal". Nesta sexta, as ruas da Grande Vitória continuavam vazias. Mas, segundo a Fecomercio-ES, 20% das lojas voltaram a atender –assim como alguns shoppings. Bancos permaneciam fechados, as aulas, suspensas, e os ônibus, parados.

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