Ex-primeira-dama do Rio de Janeiro diz ter como comprovar serviços de escritório

Ela negou que sua empresa tenha sido usada para o pagamento de propina ao ex-governador Sérgio Cabral

Albanise Pires foi candidata ao Senado em 2018 e também se desfiliou do PSOLAlbanise Pires foi candidata ao Senado em 2018 e também se desfiliou do PSOL - Foto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

A ex-primeira-dama do Rio Adriana Ancelmo afirmou ter como comprovar os serviços prestados por seu escritório de advocacia a todos os clientes pelos quais recebeu remuneração. Ela negou que sua empresa tenha sido usada para o pagamento de propina ao ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), como suspeita o Ministério Público Federal.

Em depoimento à Polícia Federal, ela decidiu não responder à pergunta sobre quais são seus maiores clientes "em razão do dever de sigilo profissional".

"[Adriana] Deseja consignar que possui comprovação de todos os serviços prestados e de todos os pagamentos recebidos pelo escritório de todos os seus clientes", disse, segundo o termo de depoimento da primeira-dama.

A procuradoria suspeita que o escritório Ancelmo Advogados tenha sido usado para ocultação de propina. Chamou a atenção dos investigadores o "crescimento vertiginoso" do escritório durante a gestão Cabral com clientes com relações com o Estado.

De acordo com dados da Receita Federal, a receita bruta do escritório subiu de R$ 3,4 milhões em 2005 para R$ 17,5 milhões em 2014, em valores reais corrigido pela inflação. O patrimônio da advogada subiu de R$ 1,9 milhão para R$ 21,7 milhões em dez anos.

Ela afirmou no depoimento que seu escritório tem 23 sócios, sendo que todos negociam contratos e captam clientes. Ancelmo tem 90% das cotas da empresa.
A ex-primeira-dama negou ter adquirido vestidos e joias com dinheiro em espécie. A Procuradoria afirma que parte da propina foi usada para quitar bens destinados à ex-primeira-dama.

Ela também disse que nenhum dos suspeitos apontados como operadores financeiros da quadrilha pagava contas pessoais suas. A investigação encontrou um boleto de conta de gás em nome da ex-primeira dama.

"Todos os pagamentos referentes a sua residência são realizados pela declarante, através de transferências bancárias, oriundas de sua conta pessoal", diz o termo de depoimento de Adriana Ancelmo.

A advogada também negou ter dinheiro em espécie acautelado com a Trans-Expert. Uma cópia da declaração de imposto de renda dela foi encontrado na empresa. Ela afirmou não saber explicar o motivo disto.

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