Garotinho passa mal em cela da PF e vai para hospital público

Político foi preso nesta quarta-feira (16) sob acusação de comandar esquema de compra de votos em Campos dos Goytacazes

Paulo CâmaraPaulo Câmara - Foto: Hélia Scheppa/SEI

O ex-governador do Rio Anthony Garotinho passou mal na Superintendência da Polícia Federal do Rio e será levado para o Hospital Municipal Souza Aguiar para avaliação.

Garotinho foi preso nesta quarta-feira (16) sob acusação de comandar um esquema de compra de votos para a eleição de vereador de Campos dos Goytacazes. O ex-governador sofreu um pico de pressão, o que exigiu a presença de médicos. Uma ambulância do Samu foi enviada à PF, enquanto o médico particular de Garotinho não chegava ao local.

Ele está detido numa cela especial da PF aguardando a definição sobre o local em que permanecerá preso. A Justiça Eleitoral determinou sua prisão preventiva sob acusação de coagir testemunhas na investigação que apura compra de votos em Campos.

Garotinho é atualmente secretário municipal de Governo em Campos. De acordo com a Justiça Eleitoral, ele comandou uma "explosão" de inscrição de beneficiários no programa com o objetivo de beneficiar até 34 candidatos a vereador aliados, dos quais 11 foram eleitos.

De acordo com a Justiça, o número de inscritos no programa, que distribui R$ 200 por mês, subiu de 11 mil para 29 mil desde junho, quando começou a campanha eleitoral.

Duas testemunhas que relataram a inclusão irregular de beneficiários foram, segundo a Justiça Eleitoral, coagidas a gravar novos depoimentos a serem transmitidos no programa de rádio do ex-governador.

As operações "Chequinho" e "Vale Voto", que apuram a compra de votos na cidade do Norte Fluminense, já havia prendido quatro vereadores, a secretária particular da prefeita Rosinha Garotinho (PR), mulher do ex-governador, e uma secretária municipal.

A defesa de Anthony Garotinho afirmou por meio de nota que a prisão do ex-governador "vem na sequência de uma série de prisões ilegais decretadas por aquele juízo e suspensas por decisões liminares do Tribunal Superior Eleitoral".

"Estas denúncias de abuso foram dirigidas à Corregedoria da Polícia Federal e ao juiz, que nenhuma providência tomou. Pessoas presas mudaram vários depoimentos após ameaças do delegado. No entanto, o TSE já deferiu quatro liminares por prisões ilegais. A Justiça certamente não permitirá que este ato de exceção se mantenha contra Garotinho", escreveu o criminalista Fernando Augusto Fernandes.

A defesa informou entrará com pedido de habeas corpus ainda nesta quarta-feira.

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