Governo do PR endurece, corta luz e água, mas alunos mantêm ocupação

Governo do Paraná obteve uma ordem de reintegração de posse nesta terça-feira (1)

Manoel Jerônimo é Defensor Público-Geral do EstadoManoel Jerônimo é Defensor Público-Geral do Estado - Foto: Divulgação

Após o governo endurecer a negociação e chegar a cortar luz e água do prédio, um grupo de estudantes que ocupa o núcleo regional da educação em Curitiba resolveu resistir e permanece sentado, de braços dados, no saguão do prédio.

O governo do Paraná obteve uma ordem de reintegração de posse nesta terça-feira (1). Um grupo de 25 alunos, porém, resolveu permanecer.

"No mandado há erros, e nós não vamos sair daqui", disseram os estudantes, em jogral.

Eles reclamam que o mandado informa que os serviços da previdência pública, que estão no mesmo prédio, não estavam funcionando por causa da ocupação -mas estão.

Policiais militares se posicionaram na entrada do prédio e fizeram um cordão em torno dos estudantes, impedindo a circulação pelo prédio (à exceção do banheiro). Eles não deixam ninguém entrar, e quem sair não poderá voltar.

"É vencer pelo cansaço", disse o coronel Arildo Luís Dias, subcomandante-geral da PM. "Tudo o que eles querem é que a gente saia carregando [os alunos]. Eu vou fazer de tudo para não botar as mãos nesses estudantes."

Advogados da OAB e membros do Ministério Público e da Defensoria Pública acompanham o grupo, que se posicionou por volta das 18h30.

ESTRATÉGIA

Os alunos estão no local desde o dia anterior, numa reação às reintegrações de posse de colégios ocupados em Curitiba. A estratégia do movimento era concentrar os estudantes no núcleo, para fortalecer as reivindicações.

Eles protestam contra a reforma do ensino médio proposta pelo governo de Michel Temer (PMDB) e a PEC que estabelece um teto para gastos públicos no país.

O grupo de cerca de 40 pessoas passou a manhã sem água e luz. Também ficaram sem comida, já que outros alunos eram impedidos de entrar no local.

Houve bate-boca em frente ao prédio, que foi cercado por policiais militares.

Estudantes picharam com giz a rua e alguns muros do prédio, pedindo "Fora Temer" e "Vandalismo é nos negar o acesso à ocupação".

"Nós, estudantes, não paramos por aqui. Esse é só o começo da nossa luta", afirmaram os alunos que permanecem na ocupação.

Há 265 escolas ocupadas no Paraná, segundo a secretaria da Educação. O movimento Ocupa Paraná diz que são 423.

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