Governo irá distribuir testes rápidos para gestantes com suspeita de zika

Ao todo, serão adquiridos 3,5 milhões de testes de zika para distribuição nas unidades de saúde

Zika tem preocupado as grávidas no PaísZika tem preocupado as grávidas no País - Foto: Pixabay

O Ministério da Saúde irá passar a distribuir, a partir de dezembro, testes rápidos na rede de saúde para detectar se houve infecção pelo zika em gestantes com sintomas da doença e em outros grupos prioritários no país.

O anúncio foi feito nesta terça-feira (25) pelo ministro Ricardo Barros após um acordo com a Bahiafarma, laboratório que produz os testes e vinculado à Secretaria de Saúde da Bahia.

Ao todo, serão adquiridos 3,5 milhões de testes de zika para distribuição nas unidades de saúde. Deste total, pouco mais de metade deve estar disponível até dezembro, e o restante, até fevereiro de 2017. O valor do investimento é de R$ 119 milhões.

Segundo o diretor-presidente da Bahiafarma, Ronaldo Dias, os testes são capazes de verificar, em até 20 minutos, se a gestante está com zika ou se já teve uma infecção pelo vírus que transmite a doença, ligada à ocorrência de microcefalia em bebês.

A análise é feita por meio de uma amostra de sangue do paciente, colocada em um pequeno dispositivo que alerta se há reação a dois tipos de anticorpos. O primeiro deles, IgM, permite identificar infecções com até duas semanas. Já o segundo, o IgC, identifica se o paciente está infectado há mais tempo.

Apesar do anúncio, o teste não deve estar disponível a todos os pacientes. A ideia é que, inicialmente, o diagnóstico seja ofertado apenas para grupos considerados de maior risco de complicações pelo vírus da zika, mediante recomendação médica -caso de gestantes com sintomas da doença, crianças de até um ano e pacientes com doenças neurológicas que podem estar associadas ao vírus.

DIAGNÓSTICO

O objetivo é acelerar o diagnóstico de zika no país. Hoje, a avaliação é que, em muitos casos, há dificuldade em identificar as infecções por zika apenas por avaliação médica devido ao avanço também de outras doenças com sintomas semelhantes, como dengue e chikungunya.

A demora em receber os resultados de exames realizados é outro desafio. Até então, a maioria das análises feitas na rede pública utilizam a técnica laboratorial PCR, um procedimento considerado mais demorado e que detecta o vírus apenas na fase inicial da infecção. Já o novo teste não detecta o vírus em si, mas anticorpos -o que permite o diagnóstico até meses após a infecção.

Pioneiro no Brasil, o teste foi desenvolvido pela Bahiafarma em parceria com a empresa coreana Genbody. O produto recebeu aval da Anvisa para comercialização no fim de maio.

Dados do último boletim epidemiológico mostram que, de janeiro até setembro deste ano, já foram registrados 200.465 casos prováveis de zika -no ano passado, o governo não fazia um monitoramento destes dados.

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