Muro separa facções rivais em Alcaçuz

Contêineres fazem separação provisória dos pavilhões que foram ocupados no presídio

Barreira será para evitar novas mortes, mas controle continua nas mãos dos detentosBarreira será para evitar novas mortes, mas controle continua nas mãos dos detentos - Foto: sumaya villela/agência brasil

 

A parte inicial do muro que separa os pavilhões ocupados por duas facções rivais na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, no Rio Grande do Norte, está pronta. A estrutura foi improvisada com contêineres, que começaram a ser posicionados no último sábado. A construção será retomada amanhã. Apesar da separação, o comandante da Polícia Militar do estado, coronel André Azevedo, disse que o controle do presídio permanece nas mãos dos internos.

De acordo com o coronel, a prioridade da PM era garantir a ordem para que o muro provisório fosse construído a fim de evitar novas mortes. De um lado, englobando os pavilhões cinco (na verdade o presídio Rogério Coutinho Madruga) e quatro, está o Primeiro Comando da Capital (PCC), que busca expandir seu domínio nacionalmente. De outro, o Sindicato do Crime do RN, facção local que resiste à investida. “Numa crise, o objetivo da operação policial, para que se retome o local, os dois principais objetivos são salvar vidas e aplicar a lei. Então a polícia chegou no local porque a Sejuc [Secretaria de Justiça e Cidadania] perdeu o controle da unidade. Estamos atuando para retomar o controle da unidade, e a primeira providência é instalar a barreira física, para evitar que se matem.”

A primeira linha de contêineres, sete no total, foi instalada com sucesso. A segunda linha já tinha sido iniciada ontem. O muro permanente, de concreto, será construído pelo Departamento de Estradas e Rodagens (DER) do estado em, no máximo, 20 dias. Questionado pela Agência Brasil se os presos continuariam portando armas, circulando, se relacionando livremente e falando ao celular, o comandante confirmou. “Exatamente. Isso depende de reformas estruturais, de serviços de engenharia, e não é a polícia que não vai realizá-la.”

A Penitenciária Estadual de Alcaçuz não tem grades nas celas desde uma rebelião realizada em 2015. Desde então, os presos circulam livremente entre os pavilhões. Apesar do grande contingente destacado para realizar a construção da barreira, nenhuma vistoria foi realizada para a retirada de armas do presídio. Segundo o comandante, André Azevedo, não é atribuição da PM realizar a varredura, e sim do Grupo de Operações Especiais (GOE) e dos agentes penitenciários.

 

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