PLANOS DE SAÚDE

Novo atendimento para o câncer

“O grande problema é que a epidemia de câncer ainda não começou no Brasil. O boom deve ser daqui a 15 anos, porque é uma doença muito ligada ao envelhecimento da população. Se o sistema já está desorganizado, imagina quando o número crescer?“

Representantes de entidades de direitos humanos entregaram documento ao vereador Carlos Gueiros (PSB)Representantes de entidades de direitos humanos entregaram documento ao vereador Carlos Gueiros (PSB) - Foto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

BRASÍLIA (Folhapress) - A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) vai propor um novo modelo de atendimento e cuidados em relação ao câncer para a rede de planos de saúde. A ideia do projeto, que será lançado em parceria com entidades na área de oncologia, é que planos e prestadores de serviços como hospitais e clínicas adotem ações para corrigir gargalos e passem a organizar em conjunto os caminhos do paciente dentro da rede. A proposta, em caráter de testes, visa buscar meios para a aceleração do diagnóstico e do tratamento de câncer na rede suplementar, que reúne 48 milhões de usuários. Hoje, a avaliação é que esse sistema é fragmentado. O usuário fica perdido entre consultas e exames, gastando muito tempo até identificar corretamente um problema e iniciar seu tratamento.

“A maior parte dos gargalos que temos não são de acesso, mas de informação”, afirmou a diretora de desenvolvimento setorial da ANS, Martha Oliveira. “Um exemplo é o paciente que faz um exame e não vai buscar, mas o resultado era positivo, ou que faz e não sabe onde levar.”

Neste ano, a estimativa do Inca (Instituto Nacional de Câncer) é de 596 mil novos casos de câncer no País. “O grande problema é que a epidemia de câncer ainda não começou no Brasil. O boom deve ser daqui a 15 anos, porque é uma doença muito ligada ao envelhecimento da população. Se o sistema já está desorganizado, imagina quando o número crescer?“, questionou José Eduardo de Castro, consultor da Fundação do Câncer, instituição que auxilia no projeto.

Apelidada de OncoRede, a iniciativa prevê que laboratórios e clínicas criem um alerta de forma a garantir que resultados críticos cheguem a quem solicitou o exame. Também será recomendada a adoção de laudos integrados, em que o paciente deixa de receber resultados separados e passa a ter uma só avaliação compartilhada entre vários profissionais.

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