Número de golfinhos do Amazonas cai à metade a cada dez anos

Especialistas afirmam que cada vez se mata mais golfinhos de água doce para usar como isca, uma prática que põe em risco sua sobrevivência

Boto cor-de-rosaBoto cor-de-rosa - Foto: Reprodução/Internet

Duas espécies de golfinhos de rio estão diminuindo rapidamente na região amazônica, e poderiam ser extintas a menos que sejam tomadas medidas para protegê-las, de acordo com descobertas de pesquisadores no Brasil.

Outrora consideradas numerosas na bacia do Amazonas, as populações de boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis) e de tucuxi (Sotalia fluviatilis) estão caindo pela metade a cada 10 anos, disse na quarta-feira um relatório da revista PLoS ONE.

Os especialistas afirmam que cada vez se mata mais golfinhos de água doce para usar como isca, uma prática que põe em risco sua sobrevivência, sobretudo porque as fêmeas têm filhotes em média a cada quatro ou cinco anos.

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"Até décadas recentes, o boto-cor-de-rosa estava protegido da ameaças pela existência de lendas e superstições", mas a prática relativamente nova de sua caça aumentou com o uso de sua carne e gordura como isca para o bagre, que se tornou uma espécie com muita demanda comercial, afirma o estudo.

As descobertas de Vera da Silva e uma equipe de cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia se apoiaram em 22 anos de estudos na Reserva Mamirauá no Brasil, uma área descrita como vertebral de seu espaço de influência, onde foi feito um acompanhamento mensal dos golfinhos de 1994 a 2017.

"No ritmo atual, as populações de botos-cor-de-rosa estão diminuindo pela metade a cada 10 anos, e as populações de tucuxi estão reduzindo pela metade a cada nove", indicou o relatório, o primeiro a quantificar o comportamento atual dos golfinhos de água doce do Amazonas.

"Os resultados são profundamente preocupantes e mostram taxas de diminuição que se encontram entre as mais acentuadas medidas em uma população de cetáceos desde os primeiros anos da caça de baleias" não tradicional.

A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) qualifica atualmente estes golfinhos de água doce como "deficientes em dados", o que significa que não se sabe o suficiente sobre seu número na natureza para avaliar o grau de ameaça que pesa sobre suas populações.

Mas o estudo publicado na PLoS ONE argumentou que se a Lista Vermelha da UICN levasse em conta as descobertas recentes, ambas as espécies seriam classificadas em perigo crítico de extinção.

Os golfinhos de rio já estão legalmente protegidos na bacia do Amazonas, mas as leis requerem uma maior aplicação, disseram os pesquisadores.

Outro tipo de golfinho de rio que se encontra no sul da Ásia, o golfinho-do-Ganges (Platanista gangetica), é considerado em perigo de extinção pela UICN.

Na China, o golfinho-do-Yang-Tsé ou baiji (Lipotes vexillifer) foi declarado extinto funcionalmente - quando sobrevive apenas um número muito reduzido de indivíduos incapazes de se reproduzir por diferentes motivos - em 2006 como consequência de atividades humanas como a pesca excessiva, a construção de represas, a poluição e o tráfego de embarcações.

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