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'O principal é não contestar lei americana', diz chanceler sobre brasileiros deportados

O chanceler classificou como 'desafios' as más condições enfrentadas por imigrantes em prisões na fronteira dos EUA com o México

Ministro das Relações Exteriores, Ernesto AraújoMinistro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo - Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou nesta quinta-feira (6) que a principal preocupação do Brasil em relação aos brasileiros deportados dos EUA é não contestar a lei americana.

O chanceler classificou como "desafios" as más condições enfrentadas por imigrantes em prisões na fronteira dos EUA com o México e disse que a posição do governo Jair Bolsonaro é "aceitar brasileiros que são deportados" como a melhor opção desses cidadãos.

"O principal para nós é não contestar a legislação americana, receber os brasileiros que são deportados de acordo com a legislação americana", disse o ministro após participar de uma sessão do Conselho Permanente da OEA (Organização dos Estados Americanos), em Washington.

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Questionado sobre os relatos de maus-tratos que brasileiros fizeram à imprensa na chegada ao país, após serem deportados pelos EUA, Ernesto afirmou que não há registro de discriminação e que as condições "não ideais" são decorrentes do que chamou de "logística da fronteira."

"Claro que as condições, pelo fato de estarem tentando a imigração ilegal, imagino que haja determinados desafios ali, inclusive decorrentes da logística de fronteira com os EUA. Mas nossa preocupação sempre, através do setor consular, é que não haja nenhuma discriminação contra brasileiros dentro do processo legal de cada país", disse.

Na semana passada, o governo Donald Trump anunciou que brasileiros que tentarem atravessar a fronteira sudoeste dos EUA para pedir asilo no país serão enviados de volta ao México para aguardar a tramitação de seus processos de imigração.

Em outra frente de ação da Casa Branca, ao menos 70 brasileiros foram deportados no fim de janeiro em um voo fretado -o segundo com o mesmo propósito desde outubro.

No ano passado, brasileiros relataram à Folha de S.Paulo que foram mantidos em tendas, que tinham entre 200 e 400 pessoas, dormiam no chão ou em colchões finos, recebiam comida estragada e em quantidades pequenas, usavam banheiros químicos e passavam até oito dias sem banho.

Neste ano, passageiros do grupo que chegou a Belo Horizonte num voo fretado pelo governo americano direto do Texas relataram que estavam com os pés e as mãos algemados no avião. As autoridades americanas, por sua vez, afirmaram que era uma operação padrão, já que indivíduos presos pelas forças federais do país estão sujeitos a serem algemados.

De acordo com diplomatas brasileiros, o serviço consular do país entrou em contato com autoridades americanas para tratar de "problemas pontuais", como má qualidade da água em uma das prisões na divisa com o México.

O número de brasileiros que foram apreendidos ao tentar atravessar a fronteira dos EUA sem documento bateu recordes em 2019 e chegou a 18 mil pessoas, o que alarmou autoridades americanas.

Depois disso, cidadãos nascidos no Brasil se somaram às mais de 58 mil pessoas da América Central, Venezuela, Cuba e outros países já inscritos no controverso programa conhecido como "Permanecer no México", instaurado no ano passado e que, até agora, só abrangia países de língua espanhola.

Desde que entrou em vigor, o programa vem sendo criticado por advogados e defensores dos direitos humanos, para quem ele deixa pessoas em situação vulnerável com pouco acesso a abrigo, alimentação ou representação jurídica enquanto aguardam durante meses em cidades violentas da região da fronteira.

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