Ocupação de prédio incendiado em SP incluía aluguel e organização

Segundo a polícia, as testemunhas citaram Ananias Pereira dos Santos, Hamilton Resende e Nireude de Jesus, conhecida como Nil, como responsáveis pelas tarefas no edifício

Bombeiros trabalham após um prédio de 26 andares no centro da capital paulista, onde viviam 50 famílias, desabarBombeiros trabalham após um prédio de 26 andares no centro da capital paulista, onde viviam 50 famílias, desabar - Foto: Nelson Almeida/AFP

Testemunhas apontam dois homens e uma mulher – que se diziam coordenadores do edifício Wilton Paes de Almeida, que desabou no último dia 1º em São Paulo – como responsáveis pela cobrança de aluguéis e organização da ocupação do prédio. Os depoimentos foram prestados à 1ª Delegacia Seccional Centro de São Paulo que investiga o incêndio e o desabamento do edifício.

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As testemunhas citaram Ananias Pereira dos Santos, Hamilton Resende e Nireude de Jesus, conhecida como Nil, como responsáveis pelas tarefas no edifício, segundo o delegado Marco Paula Santos. Os três já foram ouvidos e negaram as acusações.

“Eles dizem que muitas pessoas recebiam os aluguéis, que não era todo mundo que pagava. É tudo mentira. Eles estão indo por esse caminho, só que a prova é no sentido contrário: que a Nil recebia todos os aluguéis, que o Hamilton era coordenador, que o Ananias era dono, enfim, as provas são no sentido contrário”, disse o delegado.

Para Marco Paulo Santos, há movimentos legítimos e movimentos corretos, mas não é o caso do edifício Wilton Paes de Almeida. “Não tem ente jurídico, não tem registro, não tem nada em lugar nenhum. O que tem é um movimento de boca, um movimento criado por eles mesmo, mas esse movimento não tem cadastro em lugar nenhum, não é pessoa jurídica, não está vinculado a esses movimentos mais importantes e conhecidos”, acrescentou.

No momento, a investigação prossegue com depoimentos de moradores, e aguardando os laudos sobre o prédio e a identificação dos restos mortais encontrados nos escombros. No total, cinco pessoas são consideradas desaparecidas pela polícia e já há material genético de todas as famílias para a possível identificação dos restos mortais.

Nessa segunda (14), mais um desaparecido foi reclamado pela família e entrou na lista da polícia. Por enquanto quatro pessoas foram identificadas como vítimas do desabamento: os gêmeos Wendel e Werner da Silva Saldanha, de 10 anos; Francisco Lemos Dantas, 56 anos; e Ricardo Oliveira Galvão Pinheiro, 39 anos.

A versão que prevalece sobre o início do incêndio, segundo o delegado, é a de um curto-circuito no quinto andar. “Agora, é aquilo que eu sempre digo: como é por prova testemunhal, a qualquer momento pode surgir uma outra prova testemunhal contradizendo aquela outra prova”, disse. “ O que prevalece hoje não tem porque mudar é a história do curto-circuito. Corroborando essa informação tem várias outras pessoas.”

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