País terá novo protocolo na detecção dos efeitos da zika

Governo amplia critérios para saber os danos do vírus, não só em recém-nascidos, mas em crianças de até três anos

Paulo Câmara no congresso da AmupePaulo Câmara no congresso da Amupe - Foto: Arthur Mota/Folha PE

 

O Ministério da Saúde irá lançar, ainda neste mês, um novo protocolo para identificar e notificar, além da microcefalia, outros impactos causados pelo vírus da zika em bebês. A ideia é ampliar os critérios utilizados pelos profissionais de saúde para observar possíveis casos de microcefalia e também de outros danos. Uma das medidas previstas é a identificação e registro de sinais e sintomas de possíveis danos neurológicos associados em zika em crianças até 3 anos. Hoje, a orientação é que todos os casos de alterações sejam notificados até os três primeiros meses do bebê.

O modelo atual também leva em conta apenas a medida do perímetro cefálico do bebê ao nascer. O Ministério informa, porém, que há casos em que o bebê apresenta o tamanho da cabeça normal para a faixa etária, mas cujos exames também apontam alterações. “Estão ocorrendo alterações tardias [no desenvolvimento das crianças].

Hoje já temos relatos de crianças que, com oito meses, apresentaram uma alteração e agora começamos a investigar se há relação com o zika”, explicou Mariana Leal, assessora da secretaria de atenção à saúde do Governo. “Estamos ampliando o espectro para incluir mais crianças com mais idade”, completou.

A mudança também visa ampliar a investigação sobre o zika, o que permitirá considerar, por exemplo, possíveis danos causados por uma infecção após o nascimento. A previsão é que o novo protocolo, que integra as ações de vigilância e de assistência às crianças, seja lançado nos próximos dias. As novas mudanças no modelo de identificação dos casos já eram estudadas desde junho.

O Governo também deve passar a distribuir, a partir de dezembro, testes rápidos para detectar se houve infecção pelo zika em gestantes com sintomas da doença e em outros grupos prioritários no País, como bebês de até um ano.
Repelente

O Ministério da Saúde anunciou ainda que realizará no dia 1º de dezembro um pregão para a compra de repelentes, que serão distribuídos a gestantes beneficiárias do programa Bolsa Família. A expectativa da pasta é que, no prazo de 15 dias a contar da homologação da compra, o produto comece a ser entregue pela rede de atenção básica a cerca de 484 mil mulheres. “Se não houver problema no pregão, já em dezembro teremos a primeira entrega”, disse o ministro da Saúde, Ricardo Barros.

 

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