Brasil

Paralímpicos pedem que Ministério Público aja contra comediantes por piadas preconceituosas

Segundo a entidade, Abner Henrique e Dihh Lopes publicou vídeos com ofensas contra os amputados, autistas, acometidos por síndrome de Down e crianças com câncer

Humorista Dihh Lopes foi um dos criticadosHumorista Dihh Lopes foi um dos criticados - Foto: Reprodução/Youtube

O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) emitiu uma nota nesta segunda (13) na qual expressa “sua mais completa indignação e repúdio aos pretensos comediantes Abner Henrique e Dihh Lopes pelo modo ofensivo, ultrajante e desumano como trataram as pessoas com deficiência em seus shows”.

Segundo a entidade, “em vídeos republicados nas redes sociais nos últimos dias, a dupla debulha um rosário de preconceitos contra os amputados, autistas, acometidos por síndrome de Down e crianças com câncer, utilizando-se do subterfúgio de fazer comédia”.

Diante destes fatos o CPB afirmou que provocou o Ministério Público Estadual para que sejam aplicadas a Abner e Dihh “todas as medidas que lhes caibam pelas falas hostis e discriminatórias”.

Na nota, a entidade afirma que os dois incorreram “no crime chamado de capacitismo, constante da Lei Brasileira da Inclusão (lei 13.146/2015) (...) O capacitismo é aquele no qual um indivíduo age de forma preconceituosa e discriminatória contra a pessoa com deficiência”. Este crime “prevê pena de um a três anos de reclusão e multa, podendo a reclusão ter o seu período aumentado dependendo das condições em que o crime foi praticado”.

Repercussão negativa
O vídeo dos comediantes já havia gerado uma repercussão extremamente negativa junto a importantes figuras do movimento paralímpico no decorrer da última semana. O presidente do Comitê Paralímpico Internacional (IPC, na sigla em inglês), o brasileiro Andrew Parsons, afirmou que “não se pode permitir que, sob desculpa de que no humor vale tudo, reforçar preconceitos e estigmas sejam confundidos com piada”.

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Já o presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Mizael Conrado, disse: “O conteúdo apresentado pela dupla e compartilhado nas redes sociais não só nos encoleriza, mas nos entristece dado que um comportamento discriminatório, absolutamente inconcebível, ainda conta com aplausos e risadas do público que teve o desprivilégio de assistir àquele verdadeiro show de horrores promovido por esta famigerada dupla”.

Quem também se pronunciou foi o multicampeão paralímpico nadador Daniel Dias, que lamentou o fato de “comediantes irem tão fundo na falta de bom senso e mau gosto com as piadas. E por trás do título de 'piadas' tomam a liberdade de esquecerem os limites”.

Outra medalhista paralímpica a lamentar o episódio foi Verônica Hipólito, que declarou: “E é assim, mascarados por 'piadas' que os preconceitos são reforçados”.

Posição dos humoristas
Em nota publicada em suas redes sociais no final da última semana, a dupla de comediantes afirmou: “Que fique clara nossa posição: estávamos usando um espaço privado, falando para pessoas que pagaram para nos ouvir e produzindo conteúdo humorístico para quem decidiu nos assistir, e não em TV aberta ou usando dinheiro público. Reafirmamos que reconhecemos, porém, o direito de qualquer um de não gostar do conteúdo (deste e de qualquer outro), mas não toleraremos ataques, ameaças e tentativas de boicotar nosso trabalho, o que beira a censura. Continuaremos fazemos a nossa comédia para quem consome e gosta do nosso trabalho. A nossa intenção é sempre causar o riso (como no vídeo), nunca dor e sofrimento. Repudiamos qualquer ato atentatório, contra quem quer que seja. Mas continuaremos fazendo nossa arte e entretendo nosso público fiel”.

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