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'Pense bem antes de ir a Fernando de Noronha', alerta Bolsonaro

O presidente criticou as taxas cobradas aos turistas que visitam a Ilha e falou sobre o 'Noronha Carbono Zero'. Em resposta, a administração da Ilha detalha o projeto

Presidente Jair Bolsonaro em live nesta quinta-feira (9)Presidente Jair Bolsonaro em live nesta quinta-feira (9) - Foto: Reprodução/Facebook

Em recesso no Guarujá, o presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar as taxas cobradas aos turistas que visitam o Arquipélago de Fernando de Noronha em uma live no Facebook nesta quinta-feira (9). “O Brasil é um local excepcional para turismo, o que falta são meios para os turistas”, afirmou o presidente.

Na live, o Bolsonaro desaprova a concessão do parque e fala sobre os valores cobrados no arquipélago. A licitação foi firmada em 2011, durante o governo Dilma, e vai até 2025. “Pense bem antes de ir a Fernando de Noronha. Você vai ser escalpelado lá, vão tirar teu escalpo. São duzentos reais para ir na praia”, conta, afirmando que já conversou com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Sales, sobre novas concessões para “acabar com a brincadeira”.

Desde 1º de novembro de 2019 a taxa cobrada pelo Governo Federal para turistas estrangeiros por dez dias de acesso em Noronha é de R$ 222. Já para os visitantes brasileiros, o valor é de R$ 111. Além do valor destinado ao Governo Federal, o Governo de Pernambuco cobra R$ 75,93 por dia de permanência.  

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“Não pode fazer isso, não pode fazer aquilo. Multa para tudo quando é lado. Ali virou o paraíso de um pessoal que resolveu tomar para si Fernando de Noronha“, desabafou o presidente que logo depois criticou o novo projeto da ilha “Noronha Carbono Zero”, que determina a proibição de carros à combustão. 

Durante a transmissão, o presidente falou para a administração da Ilha, que é de responsabilidade da empresa Econoronha: “Fernando de Noronha, se eu tiver fazendo errado, é só entrar em contato com o ministro de turismo, Marcelo Álvaro, ou com Gilson Machado, presidente da Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo). Diga as condições que me penitencio e divulgo o que for certo tocante à Fernando de Noronha”.

“Olha o que eu sei sobre Fernando de Noronha”, falou o presidente ao se referir a uma torre de energia eólica no local. “Um dia, um cara do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) passou por lá e viu um passarinho morto. Uma comoção… um pássaro morto. O que é que foi? Aquela hélice bem devagar. O coitado do passarinho devia estar saindo do réveillon, bateu e morreu. Bem, não tem mais [energia eólica]. Agora a energia é térmica”, contou. “Inclusive, acreditem se quiserem, lá tem uma geradora de energia a óleo que carrega a bateria dos carros elétricos. Entenderam? Assim é Fernando de Noronha, assim é o Brasil”, concluiu.

Ao fim da fala, o presidente voltou a falar da empresa responsável pela administração da Ilha em tom de critica. “A mesma empresa que administra Fernando de Noronha administra o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, e Foz do Iguaçu, no Paraná. É uma mina de ganhar dinheiro.” Segundo o presidente, enquanto o turismo do Brasil for explorado “dessa maneira, para grupos se darem bem”, não haverá turismo no país.

Em resposta a Bolsonaro, a administração da Ilha detalhou o projeto Noronha Carbono Zero. Segue o texto na íntegra:
“A Administração da Ilha de Fernando de Noronha, depois de implantar o programa Noronha Plástico Zero, também deu início ao Programa Noronha Carbono Zero. Nesta semana, o governador Paulo Câmara sancionou a Lei que determina a proibição de carros à combustão, na ilha, indicando os prazos para cumprimento da medida. Agora em fevereiro começa a funcionar o primeiro Ecoposto público, que funciona à base de energia solar, para abastecimento de carros elétricos - muito menos poluentes, mesmo que não sejam abastecidos por fontes de energia limpa. O próximo passo da gestão estadual, em Noronha, é a mudança gradual da matriz energética da Ilha, para que em 2030 toda ela funcione com energia renovável.

A respeito da cobrança de taxas federais aos turistas, como a mesma não compete à administração local, seja a definição de valores ou a sua aplicação, acreditamos que seja tema para pronunciamento do Ministério do Meio Ambiente, pois são recursos recolhidos pelo Governo Federal. Em Noronha, seguiremos o intenso e produtivo trabalho de consolidação da Ilha como uma referência internacional em sustentabilidade, com preservação da natureza mas, também, desenvolvimento, requalificação da infraestrutura, a exemplo do Porto (obra concluída) e da instalação de iluminação LED na BR (a iniciar ainda em janeiro) e com um forte olhar voltado aos seus moradores. Uma série de intervenções estão sendo realizadas, como a entrega de 26 novas casas populares, requalificação de 11 ruas, melhoria das estruturas da Escola de Referência em Ensino Médio Arquipélago, do Hospital São Lucas, otimização da limpeza urbana e a devida destinação dos resíduos sólidos.”

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