PMs são ouvidos como testemunhas da morte de Ágatha, diz delegado

O delegado disse que perguntas como quem atirou, de onde partiu o tiro e em qual circunstância esse tiro foi disparado serão esclarecidas ao longo da investigação

Agatha Vitória Sales Félix, 8, morreu na madrugada deste sábado (21) no Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, bairro da zona norte do Rio de JaneiroAgatha Vitória Sales Félix, 8, morreu na madrugada deste sábado (21) no Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, bairro da zona norte do Rio de Janeiro - Foto: Reprodução/Instagram

O delegado da Delegacia de Homicídios da Capital, Daniel Rosa, disse nessa segunda-feira (23) que os policiais militares envolvidos no caso da morte da menina Ágatha Félix, de 8 anos, estão sendo ouvidos na condição de testemunhas e não como suspeitos do crime. “Não havia operação da UPP [Unidade de Polícia Pacificadora] no local e os militares estavam em patrulhamento de rotina”, disse.

Rosa também explicou que os depoimentos dos militares e das testemunhas do caso estão sendo mantidos sob sigilo. Segundo Rosa, a finalidade do sigilo é garantir a lisura e a seriedade “dessa investigação tão importante e tão séria conduzida pela Polícia Civil”. Os depoimentos dos PMs e de outras testemunhas foram prestados na Delegacia de Homicídios da Capital, na Barra da Tijuca.

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O delegado disse que perguntas como quem atirou, de onde partiu o tiro e em qual circunstância esse tiro foi disparado serão esclarecidas ao longo da investigação.

“Pontos importantes foram colhidos nos depoimentos e que há dados relevantes para se chegar a um cenário do que realmente aconteceu naquela localidade [Fazendinha]. Não se descarta fazer rapidamente essa reprodução simulada no local do crime”, disse. As oito armas que estavam em poder dos militares: três fuzis e cinco pistolas foram entregues hoje à polícia.

O delegado disse que foram feitas duas perícias na kombi, onde a menina foi atingida. Uma no dia seguinte ao crime e outra nesta segunda-feira, na porta da Delegacia de Homicídios da Capital. Daniel Rosa disse que o utilitário está apreendido na delegacia e serão feitas novas perícias se necessário.

A menina Ágatha Félix morreu após ser atingida nas costas por um disparo de fuzil quando seguia para casa de kombi na sexta-feira (21), na comunidade da Fazendinha, no Complexo do Alemão.

Moradores da comunidade dizem que o tiro partiu de um dos policiais, quando houve abordagem a uma motocicleta roubada, ocupada por dois homens, que fugiram no momento da abordagem e houve o disparo por um dos policiais que integrava a equipe.

A Polícia Militar nega essa versão. O coronel Mauro Fliess, porta-voz da corporação, diz que os militares foram atacados por traficantes da Fazendinha quando estavam em patrulhamento e que o crime será apurado dentro do rigor que o caso requer. “Não vamos recuar. Estamos no caminho certo. Estamos reduzindo o número de homicídios dolosos e lamentamos profundamente que pessoas como Ágatha e outras que perderam suas vidas. Lamentamos profundamente esse caso e prestamos solidariedade”, disse o oficial.

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