Polícia do Rio identifica corpo e pede prisão de mulher de embaixador grego

O pedido de prisão temporária foi feito à Justiça nesta sexta-feira (30) após a polícia identificar que o corpo

Mendonça FilhoMendonça Filho - Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

A Polícia Civil do Rio de Janeiro pediu a prisão da mulher do embaixador da Grécia no Brasil. Ela é apontada como suspeita da morte do diplomata Kyriakos Amiridis, 59, que estava desaparecido desde a última segunda-feira (26). Um policial militar e o primo dele também são apontados como suspeitos.

O pedido de prisão temporária foi feito à Justiça nesta sexta-feira (30) após a polícia identificar que o corpo Amiridis é o mesmo que foi encontrado carbonizado na quinta (29) dentro de um carro sob um viaduto em Nova Iguaçu.

Segundo a Polícia Civil, o soldado da PM Sérgio Gomes Moreira Filho, 29, confessou ter matado o diplomata. Para a polícia, ele tinha um caso extraconjugal com a viúva do embaixador, a brasileira Françoise Amiridis, e o crime teria motivação passional.
Ainda segundo as investigações, Kyriakos Amiridis teria sido morto na própria casa e, na sequência, seu corpo teria sido retirado do local pelo PM e levado no carro alugado pelo embaixador -o mesmo veículo que foi encontrado em chamas em Nova Iguaçu.

Um sofá com manchas de sangue foi encontrado na casa em que o casal estava hospedado. O móvel foi levado para a delegacia durante a madrugada e passou por perícia.

Foi a própria viúva do embaixador que comunicou o sumiço do marido à Polícia Federal. A PF avaliou que o desaparecimento não tinha relação com a atividade diplomática de Amiridis no Brasil. Por isso, o caso foi encaminhado à DHBF, que tem um setor específico para investigações de desaparecimentos.

Procurado, o Ministério de Relações Exteriores disse que não comentará o assunto, e funcionários do Consulado da Grécia no Rio não deram informações sobre o paradeiro de Amiridis. A Embaixada da Grécia ainda não havia se pronunciado oficialmente sobre o caso.

O embaixador estava de férias no Rio até o próximo dia 9, quando deveria voltar ao trabalho na embaixada em Brasília.

Gomes Filho está na Polícia Militar desde abril de 2012 e trabalhava na UPP Fallet/Fogueteiro. Ele será submetido a processo administrativo disciplinar e um conselho de revisão disciplinar decidirá por sua permanência ou exclusão da instituição. Ele deve ser encaminhado para a unidade prisional da PM.

Paixão pelo Rio
Amiridis era um apaixonado pelo Rio e já foi cônsul na cidade de 2001 até 2004. Em janeiro deste ano, ele assumiu o posto em Brasília. Nas suas folgas, ele costuma passar alguns dias no Rio. Um dos funcionários da embaixada grega em Brasília confirmou que a mulher de Amiridis tem residência na capital fluminense.

O embaixador era formado em direito pela Universidade de Aristóteles em Tessalônica, na Grécia. Sua carreira diplomática começou em 1985. Antes de assumir o posto em Brasília, ele foi embaixador da Grécia na Líbia por quatro anos a partir de 2012.

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