Procuradoria arquiva investigação sobre policiais que interromperam reunião anti-Bolsonaro

O procurador mencionou também o fato de que o protesto foi realizado durante a visita de Bolsonaro e que reuniu cerca de 200 pessoas

Ministério Público Federal (MPF)Ministério Público Federal (MPF) - Foto: Wikimedia Commons

O Ministério Público Federal (MPF) no Amazonas arquivou a investigação para apurar a presença de policiais rodoviários federais em uma reunião de movimentos sociais que planejava um protesto contra a visita do presidente Jair Bolsonaro (PSL) a Manaus.

O episódio ocorreu no dia 23 de julho, a dois dias da visita de Bolsonaro à cidade. Portando armas longas, três policiais estiveram na sede do Sinteam (Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Amazonas) e questionaram a identidade dos líderes do protesto e as organizações envolvidas na iniciativa.

Em sua decisão, o procurador Henrique de Sá Valadão Lopes afirma que o decreto 1.655, de 1995, inclui a Polícia Rodoviária Federal (PRF) entre os organismos encarregados de escoltar o presidente e que a a apuração demonstrou que "os agentes rodoviários agiram no estrito cumprimento do dever legal".

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"A atuação da polícia não se deu de forma clandestina ou arbitrária, uma vez que os agentes rodoviários ingressaram na sede do sindicato e buscaram dialogar diretamente com as lideranças do movimento, esclarecendo, a princípio, o motivo da presença deles no local", afirmou.

O procurador afirmou que a segurança de Bolsonaro "tornou-se questão prioritária e fundamental, sobretudo após o atentado" ocorrido durante a campanha eleitoral no ano passado, quando o então candidato foi esfaqueado.

Sobre as armas longas, Valadão disse que são "instrumento de trabalho do agente de segurança pública" e que o Amazonas "apresenta crescentes índices de criminalidade, em especial a qualificada pela ação de organizações criminosas com elevado poder bélico e econômico".

O procurador mencionou também o fato de que o protesto foi realizado durante a visita de Bolsonaro e que reuniu cerca de 200 pessoas, sem incidentes e com escolta da Polícia Militar.

O despacho, concluído na última segunda-feira (5), será enviado para 7ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF, em Brasília, que poderá homologar o arquivamento ou avaliar a possibilidade de retomada da apuração.

A reportagem tentou falar com as lideranças do protesto, mas ninguém foi localizado até a conclusão deste texto.

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