Rio tem longas filas para vacinação contra febre amarela

A procura aumentou após a confirmação de quatro casos em pessoas no Estado este ano, com três óbitos, e o apelo das autoridades de saúde

População forma filas para a vacinação contra a febre amarelaPopulação forma filas para a vacinação contra a febre amarela - Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil

Os moradores da cidade do Rio de Janeiro enfrentaram longas filas nesta quarta-feira para tomar a vacina contra a febre amarela. A procura aumentou após a confirmação de quatro casos em pessoas no Estado este ano, com três óbitos, e o apelo das autoridades de saúde. Os casos foram registrados em Valença, no centro-sul do estado, e em Teresópolis, na região serrana.

No Centro Especial de Vacinação Dr. Álvaro Aguiar, na Cinelândia, região central da cidade, por volta de 9h a fila dobrava o quarteirão com cerca de 400 pessoas aguardando. As informações são da Agência Brasil.

A administradora Verônica Vargas tinha chegado às 6h30 e andado poucos metros na fila. Ela reclamou que muita gente entrou na fila alegando prioridade, porém sem ser prioridade. "Vou viajar para Minas [Gerais], que é um lugar que está com foco. É muito importante vacinar até para não piorar e virar uma epidemia. Eu nunca tomei, se não nem precisaria, né? Porque quem tomou uma dose não precisa tomar".

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Já no Centro Municipal de Saúde Heitor Beltrão, na Tijuca, às 9h30 a fila já estava menor, uma vez que as 400 senhas disponíveis para vacinação nesta quarta já haviam sido distribuídas. O militar Weverton de Souza chegou às 6h45 e conseguiu uma das últimas senhas, a de número 395. "É a primeira vez que estou tomando a vacina", disse, mostrando preocupação com notícias da morte de macacos no estado.

Secretaria de Saúde
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, cada posto de vacinação tem autonomia para determinar quantas doses serão aplicadas por dia, seguindo critérios técnicos e de acordo com a capacidade de atendimento de cada unidade. A secretaria lembrou que a vacina esteve disponível em todos os 232 centros da rede durante todo o ano de 2017, mas a procura foi muito baixa a partir de março.

"A Superintendência de Vigilância em Saúde lembra que a vacina contra a febre amarela esteve disponível para a população durante todo o ano passado mas, infelizmente, com o fim das notícias sobre casos da doença, as pessoas foram deixando de procurar a vacina", disse a Superintendência em nota.

Em março do ano passado foram vacinadas na cidade 629.087 pessoas; 411.648 em abril; 198.659 em maio, 120.911 em junho; 96.040 em julho; 42.795 em agosto; 36.325 em setembro; 26.527 em outubro; 20.321 em novembro e apenas 16.592 em dezembro. Segundo a secretaria, a cidade não alcançou a cobertura da população alvo ainda em 2017, que está, atualmente, em 50%. Como a vacina é feita com vírus vivo e apresenta riscos de reação, estão fora do público alvo os idosos, menores de 9 meses, gestantes e pacientes com doença imunológica.

Após as notícias de mortes no estado, apenas na segunda-feira (15) 26.279 procuraram as unidades e foram vacinadas. "Diante dessa nova demanda, as unidades estão se organizando para atender o máximo de pessoas da melhor maneira possível, dentro da capacidade técnica de segurança dos pacientes e boas práticas de vacinação", informou a SMS, acrescentando que não há circulação do vírus na capital.

Doses
Na terça-feira (16), o secretário estadual de Saúde do Rio de Janeiro, Luiz Antônio Teixeira Júnior, disse que todos os municípios têm doses suficientes da vacina para atender a população, além de estoque para distribuir. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde, atualmente o estado tem 6,7 milhões de doses em estoque e já foram vacinadas 46% da população do estado.

A vacina em dose integral só precisa ser tomada uma vez na vida, conforme protocolo da OMS (Organização Mundial da Saúde). A dose fracionada, que começará a ser aplicada no dia 19 de fevereiro, tem período de cobertura de 8 anos. Segundo Teixeira Júnior, o estado está aplicando a dose integral, mas fará o fracionamento quando for necessário.

"As vacinas têm uma fabricação finita e nós precisamos ser solidários, se precisar ser feito o fracionamento, nós faremos. A cobertura vacinal e o período que nós vamos proteger a população nós precisamos para agora. A garantia de 8 anos já é uma grande garantia, no passado fazíamos para 10 anos. [Mesmo fracionada] a garantia é que a pessoa não vai contrair a febre amarela neste momento. A estratégia do fracionamento é de parceria, integração e colaboração. Se o estado do Rio de Janeiro estiver coberto e o de São Paulo não, não resolve o problema", disse o secretário.

Dia D
No próximo dia 27, a Secretaria de Saúde realiza o Dia D de vacinação contra a febre amarela nos 92 municípios do estado, com a dose integral. Durante a ação, a vacina será disponibilizada nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde), UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), instalações montadas pela secretaria estadual e também nos quartéis do Corpo de Bombeiros.

Segundo o subsecretário de Vigilância em Saúde, Alexandre Chieppe, moradores da zona rural devem procurar a imunização prioritariamente. "Especialmente quem mora em região de mata deve buscar a vacinação o quanto antes. Temos doses para todos e a vacina é a melhor e mais eficaz opção para se proteger contra a febre amarela".

A campanha do Ministério da Saúde com a dose fracionada será feita em 15 municípios fluminenses entre os dias 19 de fevereiro e 9 de março: Belford Roxo, Duque de Caxias, Itaboraí, Itaguaí, Japeri, Magé, Mesquita, Nilópolis, Niterói, Nova Iguaçu, Queimados, Rio de Janeiro, São Gonçalo, São João de Meriti e Seropédica.

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