Salles diz que relacionar céu escuro em SP a queimadas na Amazônia é 'fake news'

Ministro disse ainda que não houve omissões do Ministério do Meio Ambiente na proteção da Amazônia

Tarde escura em São PauloTarde escura em São Paulo - Foto: Reprodução/Twitter

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmou nesta terça-feira (20) que há muito sensacionalismo ambiental e comparou a escuridão que atingiu São Paulo na tarde desta segunda (19) a fake news. A afirmação do ministro foi feita em Sertãozinho (a 333 km de São Paulo), durante a Fenasucro (Feira Internacional da Bioenergia), maior evento do setor no país, aberta nesta terça na cidade do interior paulista.

"Aproveito para comentar a fumaça ou aquela escuridão que deu ontem na cidade de São Paulo e que alguns disseram que é a fumaça da Amazônia que encobriu a cidade. Essa afirmação parece até um vídeo que vi, um mês atrás, de um helicóptero do Ibama sendo recebido a tiros e, depois, meia hora depois, mostrou um menino que tinha feito uma montagem", afirmou o ministro na cerimônia de abertura da feira.

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A tarde escura na capital pode ser explicada pela soma da chegada de uma frente fria no leste do estado, com nuvens carregadas, e ventos que trouxeram material particulado originado de queimadas no Paraguai, na divisa com Mato Grosso do Sul, segundo Franco Nadal Villela, meteorologista do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia).

Salles afirmou que todas as equipes de combate na região Norte estão em operação e que o principal combate é dado pelos governos estaduais e, em caráter complementar, pelas equipes do Prevfogo (Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais). "Estamos fazendo o máximo de esforço que podemos. Isso decorre de um tempo muito seco e há portanto essa maior incidência de queimadas."

Salles citou ainda outro episódio que qualificou como fake news, o da morte do líder indígena Emyra Waiãpi, no Amapá. "Igualmente, o falecimento, o triste falecimento de uma liderança indígena que alguns órgãos de imprensa se apressaram em dizer que foram garimpeiros que invadiram uma reserva e saíram matando todo mundo, depois descobriu que o índio tinha bebido uma cachacinha e caiu no rio afogado. Esse sensacionalismo irresponsável na área ambiental não contribui para as melhores práticas e para a defesa efetiva das questões importantes do nosso país", afirmou.

O ministro disse ainda que não houve omissões do Ministério do Meio Ambiente na proteção da Amazônia, como apontado por uma representação assinada por 19 entidades ambientalistas, que representam mais de uma centena de organizações, e enviada nesta terça a Raquel Dodge, procuradora-geral da República.

"Não há nenhuma omissão do ministério em relação a absolutamente nada, muito pelo contrário. Nós, apesar das dificuldades orçamentárias, do problema de infraestrutura, de uma série de limitações que vem administrações após administrações, estamos colocando eficiência administrativa para disponibilizar, nesse exato momento, todas as equipes por exemplo, do Prevfogo, e os equipamentos estão lá à disposição dos governos estaduais, as ações de fiscalização continuaram sendo feitas, todas as medidas necessárias à preservação continuaram sendo feitas, portanto não há omissão nenhuma", disse.

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