Saúde, pobreza e educação motivam protestos no Brasil, diz pesquisa

Segundo o estudo, alguns tipos de engajamento são mais populares entre jovens, pessoas com nível de educação maior e inclinadas à esquerda e que usam mídias sociais

Protesto bloqueia trânsito no Viaduto Capitão TemudoProtesto bloqueia trânsito no Viaduto Capitão Temudo - Foto: Cortesia / Whatsapp

Um dos principais temas nas eleições presidenciais deste ano, a corrupção aparece apenas em quarto lugar entre os motivos que mais mobilizam os brasileiros a participarem de um protesto, de acordo com pesquisa do centro de estudos Pew Research Center divulgada nesta quarta-feira (17).

No país, a mediana -centro de estimativas- de entrevistados que elencam a corrupção no governo como razão para se manifestarem é de 59%. O número está acima da mediana de 54% observada nos 14 países em que o levantamento foi realizado -foram ouvidas 14.875 pessoas entre 20 de maio e 12 de agosto.

A África do Sul é onde a corrupção mais mobiliza a população, com mediana de 67%. Mas, em nenhum dos países em que a pesquisa foi feita o tema apareceu em primeiro entre os que mais engajaram os entrevistados. Os principais motivos que levariam as pessoas a participarem de um protesto são o sistema de saúde precário e pobreza, ambos com mediana de 68%.

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Em 13 dos 14 países, a saúde de má qualidade aparece em primeiro ou segundo lugar entre os motivos indicados para participar de um protesto. Nesse sentido, o Brasil se alinha com a maioria dos países: a saúde é a razão apontada por 69% dos entrevistados, enquanto a pobreza teve mediana de 67%. No mundo, os quenianos são os mais mobilizados por saúde (81%).

Com mediana de 66%, a educação de má qualidade também aparece à frente de corrupção entre os motivos indicados por brasileiros para protestar -é o mesmo percentual da mediana dos 14 países.

A Hungria é um caso peculiar na pesquisa do Pew. O país tem as menores medianas em todos os quesitos levantados. Com mediana de 35%, por exemplo, a saúde seria o tema que mais mobilizaria os húngaros. A discriminação aparece em último, com 14%.

Segundo o estudo, alguns tipos de engajamento são mais populares entre jovens, pessoas com nível de educação maior e inclinadas à esquerda e que usam mídias sociais. Os mais jovens, por exemplo, são mais motivados por liberdade de expressão que os eleitores mais velhos. No Brasil, 73% dos adultos com menos de 30 anos dizem que poderiam se tornar politicamente envolvidos por causa do tema, comparado com 39% dos que têm 50 anos ou mais.

O estudo do Pew identificou ainda uma ligação forte entre educação e participação política. Os resultados indicam que em 13 países, quem tem mais educação está mais inclinado a compartilhar suas visões online. Em sete países, essas pessoas estão mais propensas a doar dinheiro a uma organização social ou política -no Brasil, três em quatro entrevistados não fariam isso.

Em oito países, as pessoas têm mais inclinação a participar de um protesto político. No caso brasileiro, os que dizem que estiveram em uma manifestação no último ano somaram 10%, contra 4% na mesma pesquisa de 2014, um ano após os protestos de junho de 2013 contra as tarifas do transporte público e por melhoria nos serviços prestados pelo governo.

Também no Brasil, a mediana de pessoas que compartilharam seus pensamentos em mídias sociais ou outras formas de comunicação on-line no último ano passou de 6% em 2014 para 19% em 2018.

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