SUS libera serviços para transexuais

Procedimentos como terapia hormonal e acompanhamento psicológico serão oferecidos em São Paulo, Curitiba, Rio e Uberlândia, em Minas Gerais

Gleide Ângelo (PSB), em entrevista à Rádio Folha.Gleide Ângelo (PSB), em entrevista à Rádio Folha. - Foto: Alfeu Tavares

 

O Ministério da Saúde habilitou quatro novos serviços ambulatoriais para procedimentos transexualizadores. Entre os procedimentos estão a terapia hormonal e o acompanhamento psicológico dos usuários em consultas antes e depois da cirurgia de redesignação de sexo.

Os serviços recém-habilitados estão disponíveis em São Paulo, Curitiba, Rio de Janeiro e Uberlândia (MG). Ao todo, agora são nove centros com estes serviços pelo SUS (Sistema Único de Saúde), dos quais cinco também oferecem a cirurgia de mudança de sexo, chamada de redesignação sexual.

Como o processo é irreversível, o Ministério da Saúde exige que antes da cirurgia seja feito um acompanhamento multidisciplinar por pelo menos dois anos. Para ambos os gêneros, a idade mínima para procedimentos ambulatoriais é de 18 anos. Esses pro­cedimentos incluem acompanhamento psicológico e hormonioterapia.

Para procedimentos cirúrgicos, a idade mínima é de 21 anos. Após a cirurgia, deve ser feito acompanhamento por mais um ano.

Desde 2008, o SUS oferece cirurgias e procedimentos ambulatoriais para pacientes que precisam fazer a redesignação sexual. En­tre 2008 e 2016, ao todo, foram feitos 349 procedimentos hospitalares e 13.863 procedimentos ambulatoriais relacionados ao processo transexualizador.

Para a presidente da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (An­tra), Keila Simpson, a notícia é boa, independentemente de o objetivo final do usuário ser a cirurgia ou não. “A porta de entrada dessas pessoas no serviço público era pelo serviço de Aids, com a instituição desses ambulatórios, essa população começou a entrar no sistema de saúde por outras frentes que não a Aids. A instituição desses serviços, para além da cirurgia, para além das especificidades, dá mais acesso à saúde para essa população”, frisou Keila.

Keila reforça que ainda são necessários mais centros que façam a cirurgia de redesignação. Ela destaca que alguns Estados têm oferecido trabalhos regionais específicos para transexuais e travestis com sucesso e enfatiza que esse tipo de iniciativa é essencial para que essa população tenha acesso integral aos serviços públicos de saúde.

 

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