Temendo ameaças, ministro do Meio Ambiente faz licitação de R$ 1 milhão para carros blindados

Sem dar detalhes, a pasta afirma que o primeiro episódio ocorreu em 27 de fevereiro do ano passado, no Parque Nacional do Pau Brasil, em Porto Seguro (BA)

Ricardo Salles, ministro do Meio AmbienteRicardo Salles, ministro do Meio Ambiente - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Alegando ser alvo de ameaças, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, lançou nesta segunda-feira (1º) edital de licitação para locação de carros blindados no valor de pouco mais de R$ 1 milhão.

O carro para deslocamento em Brasília deve ser um SUV (veículo utilitário esportivo, na sigla em inglês) a diesel, com tração nas quatro rodas, câmbio automático, vidros e portas elétricos e banco de couro preto ou tom escuro, segundo especificações do termo de referência. Também é exigida central multimídia contendo, "no mínimo", câmera de ré e GPS integrados ao painel original de fábrica.

Além deste carro, identificado como veículo de representação, o edital inclui aluguel eventual de carros blindados com e sem motorista para uso nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Para estas localidades, as exigências são mais simples. Entre elas, "central multimídia MP3, contendo entrada auxiliar USB, entrada auxiliar MP3 player compatível com Ipod/Iphone, bluetooth, câmera de ré e sistema de navegação GPS". O custo estimado da contratação é de R$ 1.028.090,25.

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"Ao desempenhar suas atividades laborais, o senhor ministro teve sua integridade física ameaçada, bem como a dos integrantes de sua comitiva", argumenta o Ministério do Meio Ambiente (MMA) ao justificar a necessidade de carro blindado.

Sem dar detalhes, a pasta afirma que o primeiro episódio ocorreu em 27 de fevereiro do ano passado, no Parque Nacional do Pau Brasil, em Porto Seguro (BA).

Também é citado um atentado contra órgãos da estrutura do Ministério do Meio Ambiente em Brasília, ocasião em que, de acordo com a pasta, Salles recebeu ameaças contra sua vida. De acordo com o termo de referência da licitação, a PF apura os casos e orientou o MMA a "reforçar as medidas de segurança do senhor ministro".

A pasta cita ainda reportagem publicada pela revista Veja em 17 de maio. De acordo com a publicação, a Polícia Federal tentava descobrir a identidade dos integrantes de um grupo terrorista que ameaçava matar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e dois de seus ministros, Salles e Damares Alves (Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos).

"Assim, considerando que o transporte do ministro de Estado do Meio Ambiente é realizado sem batedores e/ou sem veículo batedor, seja por falta de pessoal e material, restringindo-se apenas a um veículo escolta, faz-se necessária que este tenha aumentada a sua capacidade evasiva", diz o texto.

Salles tem sido alvo de críticas constantes desde 22 de maio, quando veio a público vídeo de uma reunião ministerial no final de abril em que o ministro do Meio Ambiente defendeu que o governo federal aproveitasse a crise sanitária do novo coronavírus para "passar a boiada"e aprovar reformas infralegais, incluindo alterações ambientais.

Em seu discurso, Salles ressaltou que era hora da edição de medidas de desregulamentação e simplificação, uma vez que os veículos de imprensa estão, neste momento, concentrados na cobertura do combate à pandemia de Covid-19.

"Precisa ter um esforço nosso aqui enquanto estamos nesse momento de tranquilidade no aspecto de cobertura de imprensa, porque só fala de Covid, e ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas", disse naquela reunião.

Entidades de proteção ao meio ambiente cobraram que o ministro deixasse o cargo após esta manifestação. A reportagem procurou o Ministério do Meio Ambiente para comentar a licitação, mas não houve resposta até a publicação desta reportagem.

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