Unesco vai prestar ajuda na remoção dos escombros do Museu Nacional

Técnicos da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) chegam ao Brasil nesta terça feira (11). Especialistas já trabalharam na remoção dos escombros gerados por tsunamis e outros desastre

Bombeiros apagam pontos de fogo no Museu Nacional após incêndioBombeiros apagam pontos de fogo no Museu Nacional após incêndio - Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O Museu Nacional do Rio de Janeiro, na Quinta da Boa Vista, começa a receber tapumes em seu entorno nesta segunda (10), para que sejam iniciadas as obras de contenção e outros procedimentos para manter a estrutura do palácio segura.

Há uma semana, o prédio foi atingido por um incêndio de grandes proporções que destruiu a maior parte de seu acervo de 20 milhões de itens. Neste domingo (9), o acesso aos jardins do palácio já estava fechado para a imprensa.

Leia também:
UFRJ reage a plano de Temer de tirar Museu Nacional da instituição
Argentina anuncia apoio por novo acervo no Museu Nacional no Rio de Janeiro
Reconstrução de museu dependerá de orçamento de 2019, diz reitor da UFRJ


A vice-diretora do Museu Nacional, Cristiana Serejo, confirmou à Agência Brasil que, na próxima terça-feira (11), começam a chegar no Rio técnicos da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) que vão auxiliar nos trabalhos.
De acordo com Roberto Leher, o reitor da UFRJ, instituição a qual o Museu é vinculado, a Unesco ofereceu especialistas que já trabalharam em tsunamis e outros desastres para ajudar na remoção dos escombros.

Com a colocação dos tapumes, começam as obras de contenção e outros procedimentos para manter a estrutura do palácio segura e permitir mais buscas nos escombros na tentativa de localizar peças do acervo que tenham escapado do fogo.

Uma equipe de especialistas, sob o comando de arqueólogos do museu, realizará esse trabalho, com apoio de engenheiros contratados para garantir a segurança nos escombros.

De acordo com Cristiana, o grupo de especialistas é formado também por museólogos do Instituto Brasileiros de Museus (Ibram) e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e já está trabalhando no interior do prédio.

Ela explicou que os trabalhos ocorrem em duas frentes: uma estrutural e uma de resgate do acervo. A expectativa é de que no decorrer dessa semana, sejam liberados R$ 10 milhões do Ministério da Educação para ações emergenciais na segurança do prédio. A UFRJ já está fazendo um termo de referência, com a relação dos serviços mais necessários nessa etapa emergencial.

Segundo Cristiana Serejo, o museu vai aceitar também doações de outras instituições. Contatos com essa finalidade já estão sendo feitos pela direção do museu. “O Museu Nacional está tentando se organizar”, afirmou a vice-diretora.

Aulas

Na manhã deste domingo, um cursinho pré-vestibular da cidade promoveu um aulão nas imediações do museu sobre a história e as memórias da instituição, fundada em 1818. Aos alunos, foi pedido que levassem fotos e lembranças do museu. A aula foi aberta para todos que estavam visitando a Quinta da Boa Vista, neste domingo

Durante a aula, professores contaram a história do prédio onde funcionava o museu, como foi sua criação e como se formou seu acervo. Em seguida, houve um debate crítico sobre como estão a educação e a cultura no Brasil.

“Cada peça do museu tinha sua história e ela provocava histórias diferentes. Quem foi lá e viu uma múmia, um dinossauro, tem uma história diferente para contar, porque é uma relação pessoal das pessoas com aquele acervo”, disse à Agência Brasil o professor de história do cursinho, Tadeu Lemos

O estudante Luís Henrique Gomes da Costa compareceu ao aulão. Ele contou que visitou o Museu Nacional pela última vez quando era criança. “Gostaria de ter entrado aí mais vezes”, lamentou. Ele se lembra com saudade da parte egípcia do museu, que tinha as múmias; do meteorito na entrada e de alguns fósseis.

A professora do curso, Fernanda Lacombe, ressaltou a necessidade de não deixar cair no esquecimento a história e a memória do Museu Nacional. Segundo ela, as aulas continuarão a ser dadas não mais durante as visitas ao museu, mas em outros locais: “É uma forma de resistência também, porque o museu queimou, perdeu-se muita coisa, mas a gente continua vindo e deixando claro o que significou a perda dele para os alunos”.

Veja também

Covid-19: entidade orienta sobre vacinação em pacientes reumáticos
Saúde

Covid-19: entidade orienta sobre vacinação em pacientes reumáticos

Quatro pessoas morrem após acidente entre lanchas em Angra dos Reis
Rio de Janeiro

Quatro pessoas morrem após acidente entre lanchas em Angra dos Reis