UPPs em xeque em um estado endividado

Beltrame, que deixa Segurança do Rio, defende as unidades e pede ajuda federal. Situação financeira é preocupante

Sheyla Costa apresenta o espetáculo "Na Pele de Elis"Sheyla Costa apresenta o espetáculo "Na Pele de Elis" - Foto: Reprodução/Rodrigo Baltar

 

RIO DE JANEIRO (ABr e Folhapress) - O ainda secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, disse ontem que não acredita na redução do número de unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) após sua saída da pasta, marcada oficialmente para esta segunda-feira. Beltrame, que passará o cargo para o atual subsecretário de Planejamento e Integração Operacional, Roberto Sá, defendeu ajuda federal no reforço às unidades.
Atualmente, há 38 UPPs. Beltrame disse que a ajuda dos órgãos federais, principalmente das Forças Armadas, pode ocorrer a qualquer momento para restabelecer o controle sobre áreas hoje conflagradas. “ O secretário reforçou que a solução para a segurança não é apenas aumentar o efetivo policial, mas oferecer às comunidades serviços sociais do estado, o que, em sua opinião, não ocorreu.
O governador licenciado do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, afirmou que o projeto das UPPs continuará, e que o novo secretário conhece o programa e terá autonomia para montar sua equipe. “A política de pacificação continuará. Foi uma política que se mostrou acertada. A gente quer continuar e com um secretário que conhece isso profundamente”, disse.
De qualquer forma, não será fácil. Roberto Sá terá a missão de aprimorar as UPPs com um orçamento enxuto e com uma dívida que se aproxima de R$ 1 bilhão. Dados do Portal Transparência, da Secretaria de Fazenda, mostram que a pasta da Segurança e órgãos vinculados a ela já empenharam (comprometeram) R$ 5 bilhões de seu orçamento. Até o momento, conseguiram pagar apenas R$ 4,2 bilhões, além de ter R$ 167 milhões de restos a pagar de anos anteriores. Para piorar, o cenário nos próximos meses é preocupante. Segundo Beltrame, o governo não tem recursos para pagar o salário de dezembro, bem como o 13º. O atraso só não ocorreu antes graças à ajuda federal de R$ 2,9 bilhões destinada à segurança pública nas Olimpíadas.
O cenário atual é bem distinto do vivenciado por Beltrame em 8 dos quase 10 anos que passou no cargo. O orçamento do Estado voltado para a segurança pública aumentou, em valores reais, 40% entre 2007 e 2014. No ano seguinte, estacionou nos R$ 10,8 bilhões. A previsão é que este ano caia para R$ 9,5 bilhões. A ampliação do orçamento ao longo da gestão Beltrame permitiu não só a criação das UPPs, como a contratação de mais de 10 mil agentes.

 

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