Vasta operação militar nas favelas do Rio de Janeiro

Mais de 3.200 militares, apoiados por blindados, estabeleceram, juntamente com as polícias, controles nos acessos às favelas e realizaram incursões

Intervenção Militar no Rio de JaneiroIntervenção Militar no Rio de Janeiro - Foto: Carl de Souza / AFP

As Forças Armadas e as polícias civil e militar realizaram nesta sexta-feira (22) operações nas favelas Vila Kennedy, Vila Aliança e Coreia, na zona oeste do Rio de Janeiro, em mais um capítulo da luta contra o crime organizado. Mais de 3.200 militares, apoiados por blindados, estabeleceram, juntamente com as polícias, controles nos acessos às favelas e realizaram incursões, segundo informou a Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro.

Em uma rua na Vila Aliança, sobre a mesa de um posto da Polícia Militar, vários agentes contabilizavam o material apreendido: pistolas, carregadores, maconha, cocaína e outras drogas, e duas bananas de dinamite, constatou a AFP.

Leia também:
Se intervenção no Rio não der certo, governo não deu certo, afirma Temer
Depois de aprovar decreto de intervenção no Rio, Senado cria órgão de fiscalização


Segundo o tenente Jansen, do Batalhão de Operações Especiais (BOPE), duas pessoas foram presas, uma dentro da Vila Kennedy e outra durante uma blitz.  O oficial indicou que foram registrados alguns tiroteios, que não deixaram mortos nem feridos.

A operação acontece uma semana depois que o presidente Michel Temer decretou a intervenção na segurança do Rio de Janeiro, confiando aos militares a luta contra o crime organizado no estado, que enfrenta uma grave crise de violência. Contudo, as ações desta sexta-feira fazem parte da operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que desde julho do ano passado enviou 8.500 militares ao estado para apoiar as forças policiais.

Insegurança e corrupção
Temer também assegurou que o decreto não tem intenções eleitorais, a menos de oito meses das eleições presidenciais, legislativas e de governadores. "Não serei candidato", reiterou. Seus adversários o acusam de ter desviado o foco da atenção pública para temas de segurança, diante da impossibilidade de fazer votar a reforma da previdência que, até a semana passada, era a principal bandeira de seu governo. O dispositivo ficará completo com a criação, na semana que vem, de um Ministério Extraordinário de Segurança Pública.

Segundo uma pesquisa solicitada pela Presidência, a intervenção do Rio teve mais de 83% de aprovação na população carioca, um percentual que contrasta com os escassos 5% de popularidade do presidente, que enfrenta várias investigações por corrupção. A intervenção "é bem-vinda, mas não serve de nada se não vier com medidas sociais: emprego, saúde, educação, transporte, dignidade para o povo", declarou à AFP Jean-Philippe, morador da Vila Kennedy que trabalha como porteiro.

Jean-Philippe expressa seu desconsolo ante um país e um estado onde as acusações de corrupção alcançam todos os partidos e apontam para centenas de legisladores, ministros e altos cargos do governo. "O presidente da República tinha que ter vergonha e renunciar, porque o número um da nação não está dando nenhum exemplo", afirmou.

Vários moradores questionados pela AFP consideraram que a intervenção militar poderia servir para frear a corrupção da Polícia. "Os policiais fazem muitos negócios" nas comunidades, comentou um fiscal de ônibus da região, que preferiu manter o anonimato.

Em junho, cerca de 100 policiais militares foram denunciados por cobrar comissões e até por venda de armas a traficantes. A saída dos militares dos quarteis criou, não obstante, fortes receios em um país onde ainda estão vivas as lembranças da ditadura militar (1964-1985).

E colocou em alerta os estados vizinhos - São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo - diante do temor de que as facções ou as atividades criminosas do Rio busquem bases com menos pressão para operar.

Veja também

Após 5 anos, atingidos pela lama em Mariana esperam reparação
Tragédia

Após 5 anos, atingidos pela lama em Mariana esperam reparação

Eleições 2020: candidatos agora só podem ser presos em flagrante
Política

Eleições 2020: candidatos agora só podem ser presos em flagrante