Zika: Brasil mantém emergência

No mesmo dia em que a OMS retirou a zika de sua lista emergenical, o País prorroga e amplia os protocolos de verificação

Marília ArraesMarília Arraes - Foto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco/arquivo

 

O governo brasileiro decidiu prorrogar a situação de emergência nacional em saúde pública relacionada ao aumento de casos de microcefalia associados ao vírus zika.

Dessa forma, o decreto de 11 de novembro de 2015 fica mantido por tempo indeterminado. A informação foi dada pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, ontem. A declaração ocorre no mesmo dia em que uma nova reunião do comitê de emergência da OMS (Organização Mundial de Saúde) declarou que a zika e complicações neurológicas relacionadas ao vírus não constituem mais uma emergência de saúde internacional.
Barros também apresentou estratégias de ampliação de diagnóstico e cuidado das gestantes. Para tanto houve a formalização de acompanhamento por três anos dos bebês suspeitos da síndrome de zika congênita (SZC), não só daqueles que apresentam a microcefalia. Dessa forma, fica entendido que mulheres que apresentaram sintomas do vírus durante a gestação devem ter os filhos monitorados, mesmo que aparentemente os filhos tenham nascido saudáveis. Em Pernambuco, tal procedimento já é adotado, inclusive com prazo superior, de cinco anos de acompanhamento.
Além da microcefalia, já foram identificadas outras malformações, como problemas na visão, audição ou nos membros nos bebês infectados intrautero pelo vírus. Essas alterações podem ser observadas nos três primeiros anos do bebê, período fundamental para o seu desenvolvimento. O Ministério da Saúde (MS) destacou que a investigação dos casos da doença nas gestantes e nos bebês também será reforçada com a disponibilidade do Teste Rápido de zika, que mostra se já houve infecção pelo vírus. Em outubro deste ano, foi anunciada a compra de 3,5 milhões testes e o primeiro lote, de 2,5 milhões, chega até o fim do ano para o SUS. O investimento na aquisição foi de R$ 119 milhões.
“O Brasil vai manter a situação de emergência, porque as consequências da microcefalia são muito graves. O Brasil está acumulando conhecimento muito amplo sobre o vírus zika, por meio de inúmeras pesquisas que estamos financiando. E nós entendemos que, como so­mos o País com maior incidência, devemos manter am­pla vigilância para dar segurança à população”, justificou Ricardo Barros.
Além disso, o MS também passou a recomendar uma segunda ultrassonografia no pré-natal. O exame deverá ser realizado no primeiro trimestre, como já era previsto, e repetido por volta do sétimo mês de gravidez. Para dar apoio a essa estratégia diagnostica fetal, Barros assinou portaria que libera R$ 52,6 milhões para o custeio de 2,1 milhões de exames neste período gestacional. A Secretária Estadual de Saúde de Pernambuco já havia instituído essa nova rotina de ultrassom. De 2 de dezembro de 2015 até 24 de setembro de 2016, o Estado registrou 4.467 gestantes com exantema, sendo destas 29 com detecção de microcefalia intrautero.

 

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