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Brasileira que mora na Itália relata momento crítico no país

Mirelle Nascimento contou à Folha de Pernambuco que todas as pessoas estão evitando sair de casa, até mesmo para ir a funerais de familiares

Brasileira Mirelle Nascimento e sua famíliaBrasileira Mirelle Nascimento e sua família - Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal

O impacto do coronavírus (Covid-19) já se faz presente em diversos países do mundo. De forma muito crítica, a Itália registra o maior número de casos da doença fora da Ásia e é um dos países que está com restrições de circulação em seu território. Nesta segunda-feira (09), o primeiro-ministro do país, Giuseppe Conte, tomou algumas medidas que vão valer até, pelo menos, o dia 3 de abril: todos os italianos devem “evitar os deslocamentos” no território, foram proibidas as concentrações e os centros educacionais devem permanecer fechados.

Há um ano e quatro meses morando na província de Milão, na Itália, a brasileira Mirelle Nascimento, 33 anos, relatou os momentos delicados vividos no país. As dificuldades são desde o cancelamento de atividades comerciais até a proibição de missas em funerais. “São várias atividades canceladas. Escolas fechadas, serviços públicos fechados, atividades comerciais suspensas, com exceção de atividades de primeiras necessidades. As pessoas estão trabalhando de casa, a exemplo do meu marido, que é consultor”, contou Mirelle.

Além disso, qualquer cerimônia foi cancelada, a exemplo de missas e casamentos. “Foram proibidas as missas nos funerais. Então, o corpo está indo direto para o cemitério e o padre faz uma reza rápida apenas com os familiares mais próximos”, disse a brasileira, ao também comentar sobre rebeliões que aconteceram em presídios na última semana. “Vários presos fugiram do presídio porque estavam sem acesso a informações dos familiares”, acrescentou.

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Mirelle mora junto com seu marido, Giuseppe Introcaso, 35 anos, e com a filha Marina, de 4 anos. Eles estão com dificuldade até para fazer feira. “O governo está orientando a só sair de casa quando é necessário. Ou seja, só supermercado. Meu marido está indo bem cedo, umas 7h30, quando o supermercado abre. Isso porque está com muita fila fora do mercado, já que não podem entrar todas as pessoas de uma vez”, relatou Mirelle.

No último sábado (07) à noite, italianos que moram na região da Lombardia, no norte da Itália, começaram a fugir de trem para a região sul do país. “Quando o governo ordenou que nenhuma pessoa poderia sair nem entrar na Lombardia, os italianos começaram a fugir de trem numa loucura, até mesmo sem passagem comprada. Eles preferiram pagar multa. Foram para o sul do país. Por isso, hoje o governo ordenou que ninguém pode sair de todo o território”, contou a brasileira.

Nos hospitais, a situação é crítica também. “A Lombardia é a região de referência em saúde na Itália. E mesmo aqui, não tem mais lugares nas UTIs de hospitais públicos. O governo está tentando construir hospitais apenas para pessoas infectadas com a doença”, relatou Mirelle.

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