Brinks movimenta bilhões de reais

Empresa, que é oriunda dos Estados Unidos, tem negócios em 60 países. No Recife, ela foi alvo da Operação Grande Truque, deflagrada pela Polícia Federal, por caixa dois

A transportadora não informou o valor roubado, alegando, em nota, “questões de segurança e andamento da investigação”, e nem confirmou se o montante tinha seguro0A transportadora não informou o valor roubado, alegando, em nota, “questões de segurança e andamento da investigação”, e nem confirmou se o montante tinha seguro0 - Foto: Flávio Japa

 

Alvo de uma das maiores ações criminosas já vistas na Zona Oeste do Recife, a Brinks é uma empresa de transporte de valores responsável pela gestão de bilhões de reais ao redor do mundo. O negócio, nascido em Chicago (EUA), alcança 60 países e oferece diversos serviços de logística, desde a coleta dos pacotes de dinheiro dos bancos até a gestão de mercadorias de alto valor em estabelecimentos comerciais e industriais. No Recife, no entanto, também foi investigada por caixa dois.
A Brinks foi um dos alvos da Operação Grande Truque, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em outubro de 2015 para investigar operações financeiras realizadas por empresas de transporte de valores estranhas às suas atividades fins. Entre as irregularidades investigadas, estavam os crimes de lavagem de dinheiro, instituição financeira clandestina e caixa dois.

A transportadora ainda chegou a ser acusada de comercializar ilegalmente moedas estrangeiras. Por isso, na época, teve um gerente preso e R$ 85 milhões apreendidos na Capital pernambucana. A PF ainda aplicou dois processos que acabaram por solicitar o fechamento da empresa.

Era uma espécie de punição às irregularidades constatadas. Porém, a Brinks solicitou e obteve junto à Justiça a suspensão dos dois processos e o gerente preso conseguiu a liberdade mediante o pagamento de fiança. Por isso, pôde continuar exercendo suas atividades.
Questionada pelas investigações ontem, a transportadora de valores garantiu, em nota enviada para a Folha, ter corrigido todas as acusações. “A Brinks esclarece que todas as operações da companhia seguem rigorosamente as leis vigentes do País e não há irregularidade em nenhum dos serviços prestados”, comunicou no texto, ressaltando que será parceira da Polícia Civil na investigação do assalto no Recife.

A Brinks só não informou o valor roubado, alegando questões de “segurança e andamento da investigação”, apesar de mais cedo ter sido cogitado o roubo de R$ 60 milhões. A transportadora também não esclareceu se o dinheiro roubado, que pertencia a outras empresas, era segurado.
As entidades que regulamentam o setor também não comentaram o procedimento administrativo em situações como essa, assim como a Polícia Federal, o Banco Central e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Por nota, a Associação Brasileira das Empresas de Transportes de Valores (ABTV) disse apenas que o grupo que alvejou a Brinks no Recife usou equipamentos cujo combate está além da capacidade permitida às empresas, apesar de as bases das transportadores brasileiras passarem por rígida fiscalização da Polícia Federal e terem tecnologia e procedimentos do mais alto nível comparado aos outros países.

 

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