Notícias

Bromélias ameaçadas de extinção são reintroduzidas à mata do Jardim Botânico do Recife

Flores foram clonadas a partir bromélias encontradas no Cabo de Santo Agostinho

Bromélias são reintroduzidas em mata no RecifeBromélias são reintroduzidas em mata no Recife - Foto: Felipe Ribeiro/Folha de Pernambuco

Duas bromélias de uma espécie ameaçada de extinção, a Aechmea muricata, foram reintroduzidas em meio à mata do Jardim Botânico do Recife (JBR), situado às margens da BR-232, na Zona Oeste da capital pernambucana.

Também chamadas de ananás-de-agulha ou gravatá-de-agulha, as bromélias da espécie foram descritas no século 18 pelo naturalista Manuel Arruda da Câmara no Recife, onde não mais é encontrada. As flores foram coletadas no Cabo de Santo Agostinho, no Grande Recife, durante expedição num remanescente de restinga de antiga fábrica de pólvora e agora integram a coleção científica de bromélias do botânico.

No Jardim Botânico, foram clonadas e, nesta segunda-feira (13), duas delas foram plantadas em uma área recentemente reflorestada do espaço. O clone foi possível porque as células desse tipo de bromélias funcionam como uma célula-tronco, sendo capaz de se reproduzir e gerar uma nova planta com genética idêntica à original, sem precisar fazer o plantio de sementes.

De acordo com o analista de Desenvolvimento Ambiental do JBR, Jefferson Maciel, essa primeira experiência com bromélias atende aos critérios da Estratégia Global para a Conservação de Plantas (Global Strategy for Plant Conservation), uma das ferramentas para diminuir o ritmo de extinção de plantas em todo o mundo.

Ao atender à exigência, o espaço mantém o título de primeiro jardim botânico do Norte-Nordeste a ter registro na categoria “A”, que o classifica entre os cinco melhores do País. "A meta é que, até os próximos três anos, o JBR reintroduza 20% de espécies nativas ameaçadas em meio à Mata Atlântica. Já fizemos com o pau-brasil", adianta.

Posteriormente, em maio, quando o período é mais chuvoso, devem ser plantadas 20 bromélias de outras espécies, todas nativas da Mata Atlântica. Dez delas suspensas em árvores e as demais em campo. De acordo com o especialista, a ideia é criar micro-habitats em meio à mata. Isso porque as bromélias abrigam água e espécies de animais que facilitarão o restabelecimento de processos ecológicos como anfíbios, aves, artrópodes e aracnídeos. "Com isso, devolver à natureza tudo o que o homem destruiu um dia", almeja Maciel.

Veja também

Contágios da varíola do macaco geram preocupação na Europa
Saúde

Contágios da varíola do macaco geram preocupação na Europa

Paulista realiza vacinação contra a Covid-19 em seis polos neste sábado
Saúde

Paulista realiza vacinação contra a Covid-19 em seis polos neste sábado