Bullying: agressão que impacta todos

No Dia Nacional de Combate ao Bullying, é importante lembrar as estratégias para combater esse tipo de agressão

Alunos contra o bullyingAlunos contra o bullying - Foto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

Lembrar para não esquecer. Há oito anos, o bairro de Realengo, no Rio de Janeiro, foi palco para uma tragédia que horrorizou o Brasil. Um jovem entrou armado na Escola Municipal Tasso da Silveira e interrompeu a vida de 12 adolescentes. O desejo do ex-aluno de se transformar em atirador - motivado pelo bullying que sofria - é a prova de que a violência, seja ela física ou psicológica, dilacera o emocional do indivíduo, levando-o a protagonizar cenas de terror.

No episódio mais recente, em Suzano, na Grande São Paulo, o mesmo componente. Dois jovens invadem escola estadual e matam dez alunos. O tempo passou, mas os sons dos disparos não param de ecoar e se reproduzir evidenciando que o bullying é um mal recorrente que deixa cicatrizes imensuráveis por onde passa.

Por isso, o dia 7 de abril, data que marcou esse grande trauma nacional, surge ressignificado como alerta de que o combate e a prevenção ao bullying devem ser trabalhados e desenvolvidos todos os dias. Instituído em 2016, o Dia Nacional de Combate ao Bullying é uma maneira de incentivar mobilizações que trazem à tona estratégias para identificar essa forma específica de violência e combatê-la.

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“O bullying provoca algo em nossa existência, provoca um adoecimento psíquico grave”, diz o psicólogo Breno Diniz, quando perguntado sobre as consequências da prática. Ele explica que a dinâmica de vida do indivíduo é modificada quando entra em contato com episódios de agressão repetitiva: "Essa violência afeta profundamente o potencial criativo que as crianças e os adolescentes têm para desenvolver, além de provocar sintomas de medo e isolação social", ressalta.

Para a psicóloga Karine Torres, o Dia Nacional de Combate ao Bullying é positivo na medida em que é "uma abertura para tratar a cultura da não violência e o respeito às diferenças". Um dos principais caminhos para combater o bullying é definido pela profissional como psicoeducação: "A escola deve investir mais nos diálogos, em eventos, palestras, abordar através de filmes, de reuniões com pais".

Mesmo com um histórico de tragédias nas escolas brasileiras, em alguns casos a prática do bullying pode passar despercebida. As agressões, disfarçadas como piadas ou brincadeiras, acabam sendo naturalizadas e negligenciadas. Nesse sentido, Karine explica que a atenção é um caminho para o vencer essa violência. "É preciso ficar atento se aconteceu alguma mudança no comportamento das crianças, focando no desenvolvimento da empatia e da escuta", diz a psicóloga.

Lúdico
No Zona Norte do Recife, o Colégio Marista São Luís adotou um método lúdico para conscientizar os alunos em sala de aula: a utilização do jogo "Combatendo o Cyberbullying", que faz parte do Movimento Mobilizador Internet com Ética e está disponível na versão digital e também na versão física, com cartas e tabuleiros.

O jogo digital pode ser acessado através do aplicativo e se desenrola com a apresentação do tema no formato de histórias em quadrinhos interativas onde o jogador é desafiado a fazer escolhas e participar. A aprendizagem é dividida em quatro fases, tendo o conteúdo renovado a cada semana. O aplicativo conta com a participação da família e está disponível para Android e iOS gratuitamente.

O conhecimento durante o ano letivo tem surtido efeito, como conta a estudante Luiza Farias, 12 anos. Ela afirma que já presenciou o cyberbullying e descreve a situação como preocupante. A atividade serviu como lição de moral, principalmente no ambiente escolar, "onde ainda se pratica muito bullying", diz. "Algumas pessoas levam isso como brincadeira, mas eu não vejo assim. Na nossa idade, tem muita brincadeira de mau gosto", ressalta.

A estudante comenta que, quando presencia esse tipo de violência, busca conversar com ambas as partes. "Eu gosto de resolver esses conflitos, saber porque a pessoa fez isso, as motivações dela, e também converso com a vítima, para saber como ela está se sentindo, para que ela não guarde isso pra si", explica.

No cinema
Filme: O Extraordinário (2017)

O filme acompanha Auggie, um garoto de 10 anos que nasceu com uma deformidade facial. Após passar toda a infância estudando em casa, seus pais decidem que é hora do menino começar a frequentar a escola. A partir do momento que Auggie encara o ambiente escolar, a convivência com outras crianças vem combinada com desafios e superações. Baseado no best-seller de mesmo nome, a adaptação aborda o tema de maneira leve e provoca uma reflexão sobre o respeito às diferenças.


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