Buracos no asfalto complicam trânsito no Recife

Danos em vias da Zona Oeste da Capital, são acentuados pela drenagem deficitária. Um dos pontos críticos fica na avenida Doutor José Rufino, na Estância, defronte ao Colégio Decisão

Avenida Doutor José Rufino, em Tejipió (no alto) e na Estância, é um dos pontos críticos de drenagem identificados pela gestão municipal. Na rodovia BR-101 (acima), os problemas também vão muito além da pavimentaçãoAvenida Doutor José Rufino, em Tejipió (no alto) e na Estância, é um dos pontos críticos de drenagem identificados pela gestão municipal. Na rodovia BR-101 (acima), os problemas também vão muito além da pavimentação - Foto: Henrique Genecy

Todo ano é isso. Quando chega o inverno, o asfalto e as placas de concreto não dão vencimento cedendo e se transformando em buracos com alagamentos que geram transtornos de grandes proporções no dia a dia da população do Recife. Na Zona Oeste, os horários de pico são marcados por grandes engarrafamentos nas principais artérias da região, especialmente na avenida Doutor José Rufino e na rodovia federal BR-101, nos bairros Estância e Tejipió. Mesmo fora da hora do rush, o trânsito fica complicado aumentando também o risco de acidente.

Um dos pontos críticos fica na avenida Doutor José Rufino, na Estância, defronte ao Colégio Decisão. Na manhã da última terça-feira (6), a Folha de Pernambuco presenciou, além de alagamento, retenção no trânsito que se prolongava por quilômetros, pelo menos até Tejipió. Na quarta-feira (7), um motorista de ônibus afirmou que o congestionamento chega a se estender até Cavaleiro, já no município Jaboatão dos Guararapes.

Durante a passagem de nossa equipe, funcionários de uma firma terceirizada a serviço da Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb) realizavam serviço de retirada de lama e areia das galerias pluviais no referido trecho da Estância. Não havia, contudo, nenhum canteiro de obras para a reparação do asfalto.

Outro ponto da via onde a situação é caótica, já em Tejipió, fica nas imediações da Escola Marechal Rondon, da rede pública estadual de ensino. Anteontem, a reportagem flagrou pedestres se arriscando entre os veículos, sobre a faixa dupla contínua no meio da avenida, em largo trecho onde as calçadas estavam completamente alagadas.

Aluno da Escola de Referencia em Ensino Médio (Erem) Senador Paulo Pessoa Guerra, Renan Santos, 16 anos, transita diariamente pelo local e é testemunha das dificuldades enfretadas pela população. “Até quando não chove fica dando uma ‘alagadinha’ daquele lado ali”, disse, apontando para o lugar onde deveria estar o passeio público, no sentido cidade-subúrbio. “Quando chove, só fica passagem no meio. Os carros param e a gente passa. E ainda se molha. Desde o ano passado que eu estudo lá e fica assim.”

Por nota, a Emlurb explicou que a avenida Doutor José Rufino é um dos pontos críticos de drenagem identificados pelo município. No entanto, ainda de acordo com a autarquia, a área sofre influência da atual situação de assoreamento do rio Jiquiá. O órgão informou também que desenvolveu um projeto de engenharia para a dragagem e requalificação dos rios Jiquiá e Tejipió, que beneficiará toda a região e que as obras estão em fase de captação de recurso. Juntas, as ações somam cerca de R$ 60 milhões.

“A Emlurb destaca que tem realizado ações de desobstrução e limpeza do sistema de drenagem na via, além de intervenções de manutenção na rede com a substituição de tubulações no intuito de minimizar os impactos causados pelas chuvas. O serviço que está em andamento, por exemplo, teve início na última quinta-feira (1º). Além disso, é realizado o monitoramento para programação e execução de operações tapa-buraco quando necessário”, concluiu a nota.

Procurada pela reportagem, a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) também informou, por meio de sua assessoria, que envia hoje aos locais uma equipe técnica de manutenção de água e esgoto para realizar uma vistoria em conjunto com a Emlurb e verificar possíveis vazamentos.

Rodovia

Um terceiro ponto crítico no que diz respeito à precariedade de manutenção das vias da Zona Oeste recifense fica no km 73 da BR-101, na altura do 4º Batalhão de Comunicações/Batalhão do Novo Arraial do Bom Jesus, pertencente ao Exército. Nos dois sentidos (norte-sul e sul-norte), a pavimentação de concreto, que já havia recebido reparos com revestimento aslfáltico, cedeu gerando desníveis e buracos.

Anteontem, no fim da tarde, o congestionamento também se estendia por alguns quilômetros até a altura do bairro Ibura. Já ontem à tarde, havia indícios de trabalho de máquinas tentando amenizar a situação com ações paliativas. No local, também quase não há acostamento e o mato alto cobre os canteiros.

Apesar de se tratar de uma rodovia federal, no contorno urbano da Região Metropolitana a manutenção fica a cargo do Departamento de Estrada e Rodagens do Estado de Pernambuco, órgão ligado à Secretária de Transporte estadual. A reportagem procurou o DER-PE, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.

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