Busca por oxímetro faz equipamento desaparecer de lojas no Recife

O oxímetro consegue medir a concentração de oxigênio e, consequentemente, uma possível dificuldade respiratória através do nível de oxigenação indicado no visor do equipamento

O oxímetro tem o formato de pregador ou clipe e normalmente é conectado na ponta do dedo do pacienteO oxímetro tem o formato de pregador ou clipe e normalmente é conectado na ponta do dedo do paciente - Foto: Cortesia/Whatsapp

A procura pelo aparelho que mede o nível de oxigênio no sangue, o oxímetro, tem sido grande em farmácias e lojas de produtos hospitalares do Recife, que já estão, em sua maioria, com o estoque zerado do produto. Segundo vendedores, a busca pelo dispositivo cresceu porque muitas pessoas têm usado o equipamento como meio de avaliar se estão ou não com sintomas da Covid-19. Especialista em pneumologia alerta para o uso.

O oxímetro, que tem o formato de pregador ou clipe e normalmente é conectado na ponta do dedo do paciente, consegue medir a concentração de oxigênio e, consequentemente, uma possível dificuldade respiratória através do nível de oxigenação indicado no visor do equipamento.

O preço do dispositivo varia de R$ 140 a R$ 200, segundo apurou a reportagem do Portal FolhaPE, que entrou em contato com farmácias e lojas de produtos médico-hospitalares do Recife.

Em uma loja desse seguimento, localizada no bairro do Espinheiro, na Zona Norte da Capital, 500 oxímetros foram vendidos em um só dia. "Como um dos sintomas da Covid-19 é a baixa oxigenação, as pessoas estão procurando o produto para testarem em casa e depois buscarem uma unidade de saúde", afirmou o vendedor Augusto Cavalcanti. No local, a procura foi tão grande que todo o estoque acabou e ainda não se sabe quando o produto, que até então estava sendo vendido a R$ 190, vai chegar.

Leia também:
Voluntários distribuem 700 máscaras a pessoas de baixa renda no Recife
Brasil tem novas 421 mortes por Covid-19 e passa dos 96 mil casos confirmados
Pernambuco registra 498 casos e 24 mortes por Covid-19 neste domingo (3)


Uma outra loja também de produtos médico-hospitalares, localizada na área central do Recife, que, até a última semana, vendia o produto a R$ 149, também zerou o estoque. Segundo o gerente do local, Johnyson Diego, em média, de 10 a 20 aparelhos do tipo eram vendidos por mês, mas, só na última semana, todo o estoque - mais de 60 equipamentos - foram vendidos.

"Acabou tudo em menos de quatro dias. Já entramos em contato com os fornecedores, mas eles disseram que não têm prazo para entregar os pedidos, porque a demanda está muito grande", afirmou o gerente Johnyson Diego, informando que as pessoas que procuram pelo oxímetro querem medir a oxigenação e saber se estão com algum problema respiratório, um dos principais sintomas da Covid-19. "Inferior a 90% já indica falta de oxigênio. O ideal é de 92% pra cima", contou Johnyson.

O produto também está em falta em farmácias do centro do Recife, da Zona Norte e também da Sul da Capital pernambucana, que podem vender o dispositivo sem restrições.

O médico chefe do Serviço de Pneumologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco, Ângelo Rizzo, não recomenda o uso do equipamento para a população em geral, já que, segundo o especialista, a má interpretação na leitura dos resultados do oxímetro pode contribuir ainda mais na aglomeração e procura por unidades de saúde sem a devida necessidade.

"O oxímetro não serve para diagnóstico do Covid-19. Alguns médicos indicam o aparelho para que pacientes que possuem a forma grave da doença monitorem o nível de oxigenação. Mas esse acompanhamento precisa ser orientado por um profissional", explica Ângelo.

Ainda de acordo com o médico pneumologista, o equipamento funciona como aliado dos exames clínicos, mas também pode apresentar erros. "Pessoas que possuem anemia ou excesso de hemoglobina, por exemplo, podem obter resultados errados de oxigenação nesses equipamentos. A recomendação é só comprar o oxímetro se ele for realmente indicado pelo médico que acompanha o paciente", finalizou.

A reportagem do Portal FolhaPE entrou em contato com a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) para saber a opinião do órgão sobre o uso irrestrito do dispositivo, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.

Acompanhe a cobertura em tempo real da pandemia de coronavírus

 

Veja também

Hyundai e Petz fazem parceria para incentivar adoção responsável de animais
Folha Pet

Hyundai e Petz fazem parceria para incentivar adoção responsável de animais

MPF alertava sobre risco de incêndio na Cinemateca desde julho de 2020
SÃO PAULO

MPF alertava sobre risco de incêndio na Cinemateca desde julho de 2020