Caboclinhos se encontram no Bairro do Recife

Vinte grupos se apresentaram. Eles voltam a desfilar no domingo (11), em Chão de Estrelas, e na terça (13), na praça do Arsenal

Encontro de caboclinhosEncontro de caboclinhos - Foto: Alfeu Tavares/Folha de Pernambuco

A Praça do Arsenal, no Bairro do Recife, coloriu-se de penas e pedrarias na noite desta quarta-feira (07), durante o Encontro de Caboclinhos e Indígenas. Vinte grupos se apresentaram numa espécie de ensaio geral para o Carnaval. Eles voltam a desfilar no domingo (11), num grande encontro em Chão de Estrelas, e na terça-feira (13), no Recife Antigo.

Homens, mulheres e crianças homenagearam suas raízes indígenas, apresentando as diversas danças e toques que compõem o repertório do folguedo popular. A apresentação teve a participação da Associação Cultural Truká, Caboclinho Índio Tupi-Guarani de Buenos Aires, Tribo Tupi Guarani de Camaragibe, Caboclinho 7 Flexas Mirim, Caboclinhos Canindé de Camaragibe, Tribo Indígena de Caboclinhos Tainá, Associação dos Caboclinhos Tapuya Canyndé, Caboclinhos Urubá, Caboclinhos Coités, Caboclinhos Tabaiares, Caboclinhos Canindé de São Lourenço da Mata, Tribo de Índios Tupiniquins, Tribo Indígena Canindé Brasileiro, Caboclinhos Caripós Mirim, Tribo Taquaraci, Caboclinhos Caetés de Camaragibe, Caboclinhos Tupinambá de Jaboatão, Tribo Indígena Flexa Negra e Caboclinhos Canindés de Goiana.

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Muitos dos grupos têm mais de cem anos, mas dois dos dirigentes presentes ao espetáculo confessaram à reportagem da Folha de Pernambuco que a situação não anda fácil para quem faz o brinquedo.

“A crise atrapalhou a confecção das fantasias. Não desistimos pelo amor que temos ao caboclinho”, disse a presidente do Canindé de Sã Lourenço, Andréa Amorim. Fundado em 1937, o grupo vem se deslocando por diversos bairros populares da Região Metropolitana do Recife, saindo de São Lourenço para a Bomba do Hemetério, no recife. Agora, está no Amaro Branco, em Olinda, onde realiza um trabalho social junto às crianças e adolescentes da comunidade.

“Meu pai, o mestre Zé Alfaiate, chegou a vender uma casa para colocar dinheiro dentro do caboclinho que fundou em 1969. Até hoje não temos sede nem o apoio necessário”, desabafou o presidente do Caboclinho 7 Flexas, Paulo Sérgio Pereira. Ele conta que o reconhecimento aumentou após a brincadeira ter sido reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, em 2016. “O preconceito diminuiu, mas a verba não aumentou. Há pouco incentivo e o cachê é insuficiente diante dos gastos”, lamentou. 

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