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Organização Meteorológica Mundial

'Cada episódio do El Niño é único', afirma diretor de variação climática da OMM

"Quando o fenômeno acontecer, esperamos secas no oeste da África, no Sahel, na África do Sul, na Austrália e no sudeste da Ásia", afirmou Wilfran Moufouma

O chefe dos serviços de previsão climática da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Wilfran Moufouma-Okia, aponta para gráficos exibidos em telas de computador na sede da OMM em Genebra, em 1º de junho de 2026O chefe dos serviços de previsão climática da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Wilfran Moufouma-Okia, aponta para gráficos exibidos em telas de computador na sede da OMM em Genebra, em 1º de junho de 2026 - Foto: Fabrice Coffrini / AFP

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) anunciou nesta terça-feira (2) sobre a elevada probabilidade de um episódio de El Niño até o fim de agosto.

Segundo a agência da ONU, as previsões climáticas naturais devem provocar condições prejudiciais e precipitações mais extremas, mas ainda é difícil prever sua intensidade, afirmou à AFP Wilfran Moufouma Okia, diretor de previsões climáticas da OMM.

O que podemos esperar?
Moufouma Okia destacou que o El Niño tem um efeito de aquecimento temporário e que, embora tenha origem nos trópicos, afetando grande parte do planeta.

“Quando o El Niño acontecer, esperamos secas no oeste da África, no Sahel, na África do Sul, na Austrália e no sudeste da Ásia”, afirmou.

“Outras regiões registram chuvas abundantes, como o sudeste dos Estados Unidos e, especialmente, a região do Pacífico equatorial. Portanto, as diferentes regiões reagirão de forma distinta ao específico”, acrescentou.

Moufouma Okia ressaltou que o El Niño não atua de forma isolada, e sim interage com outras especificações meteorológicas que podem amplificar ou enfraquecer sua intensidade.

“Segundo nossa variação, em termos gerais teremos um episódio de El Niño que oscilará entre moderado e forte”, disse.

"Mas é importante destacar que cada episódio de El Niño é único. Poderíamos pensar que um (...) fraco não terá consequências, mas não é assim. Dependendo do país e do contexto, as consequências podem ser tão prejudiciais como no caso dos episódios fortes".

Os países estão preparados?
Moufouma Okia declarou que a OMM disponibilizará as suas contribuições aos países e aos serviços meteorológicos nacionais, mas que correspondem a eles refinarão as informações a nível local.

O cientista espera que os países levem os dados em consideração na preparação para o El Niño.

"Os modelos da OMM são capazes de fazer variações com seis meses de antecedência. Assim, esperamos que os países tenham tido tempo para se antecipar", indicou.

Porém, em alguns momentos, as consequências superam a capacidade de resposta de um país, como ocorreram durante o último episódio do El Niño, entre 2023 e 2024.

“Naquele momento, houve uma diminuição das precipitações no Panamá que afetou o canal e, portanto, a economia mundial”, explicou.

Os países cooperam na área meteorológica?
Moufouma Okia disse que há avanços, já que os países trocam mais informações sobre o El Niño.

“Houve menos vítimas em 2023-2024 do que em 1997. Assim, podemos presumir que os países estão mais bem preparados ou aprenderam as lições com os episódios anteriores”, declarou.

Os países compreendem a necessidade de compartilhar dados e "mesmo países em conflito" cooperam, "porque, para prever um público do outro lado do mundo, são necessários dados do outro lado", completou.

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