Caminhoneiros perdem o apoio da população

Professor da USP calcula que a economia brasileira perdeu 100 bilhões nos últimos 8 dias

Inaldo SampaioInaldo Sampaio - Foto: Colunista

Até sexta-feira da semana passada, quinto dia da greve dos caminhoneiros, notava-se no meio da população uma simpatia sincera pela greve da categoria. Entendia-se até então que eles lutavam por uma causa justa. Não aceitavam mais a política de reajuste de preços da Petrobrás, com base na variação do preço do barril no petróleo no mercado internacional. Argumentavam que a Petrobrás é uma empresa controlada pelo governo federal, e por esse motivo deve estar a serviço de todos os brasileiros e não apenas dos seus acionistas. A maioria da população apoiou esse discurso e passou a solidarizar-se com o movimento, mesmo sendo prejudicada pela falta de combustíveis nos postos, e de frutas e verduras nos supermercados. Do último sábado para cá, porém, a simpatia se esvaindo, por eles não ter voltado ao trabalho (não foram todos), apesar de sua pauta de reivindicações ter sido atendida pelo governo. A consequência da continuidade da greve é esta que vimos nos últimos dias: todos os setores da economia praticamente paralisados, filas quilométricas nos postos de gasolina, animais morrendo nas granjas por falta da ração, e por aí vai. Um professor da USP calcula que a economia perdeu nos últimos nove dias algo em torno de 100 bilhões. Natural, portanto, que a população (ou pelo menos a maioria dela) esteja se sentindo traída pelos caminhoneiros, que passaram a criar embaraços para ela e não mais para o governo, que era o seu principal alvo.

Donos do pedaço
Em nome do Governo do Estado, o deputado Nilton Mota (PSB) foi ontem à rodovia que dá acesso ao Porto de Suape para tentar convencer caminhoneiros grevistas a, pelo menos, permitir a entrada de caminhões que fariam o transporte de gás para o Recife. Um deles, exaltado, disse que não permitiria e sua “ordem” foi obedecida. Era caso de uso da força policial, mas não foi.

Nova pauta > Caminhoneiros que ainda não voltaram ao trabalho estão sendo manipulados por ativistas políticos. É que eles acrescentaram à sua pauta original de reivindicações a redução do preço da gasolina e do gás, a demissão de Pedro Parente (Petrobras) e o “fora Temer”.

Nem pensar! > Paulo Câmara e os outros governadores do Nordeste não querem nem ouvir falar em reduzir o ICMS que incide sobre os combustíveis para baratear o preço da gasolina. É que 70% do que o Estado arrecada é em cima de 5 itens: combustíveis, luz, telefone, cigarro e bebidas.

Cara nova > O PR de Pernambuco pretende ampliar sua bancada de deputados estaduais com Aline Corrêa e fará o máximo de esforço para que ela seja eleita. Aline já foi deputada federal por SP e tem como principal cabo eleitoral o pai, ex-deputado Pedro Corrêa (PP).

Palestra política > O jornalista e marqueteiro Ricardo Melo, sócio-diretor da Rima Estratégia e Conteúdo, vai proferir palestra na UFPE, no dia 6 de junho próximo, sobre sua experiência em campanhas políticas. Ele atuou como marqueteiro nas campanhas de 2012, 2014 e 2016.

Eu, hein! >
Motoristas que transportaram gasolina, ontem, do Porto de Suape para cidades do Sertão, estão se negando a voltar para fazer um novo carregamento. Temem ser hostilizados pela minoria grevista, que está plantada na entrada do Porto impedindo a entrada de colegas.

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