Campanha pede inclusão de pessoas em situação de rua no censo do IBGE

Segundo os manifestantes, o IBGE alega não possuir uma metodologia para contabilizar esta população, o que impossibilita a criação de políticas públicas

12ª Ação Nacional Criança Não é de Rua, no Recife12ª Ação Nacional Criança Não é de Rua, no Recife - Foto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

Integrantes do Fórum Estadual de Meninos e Meninas de Rua se reúnem na manhã desta segunda-feira (23), em frente à sede do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), localizado em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, para pedir que a população em situação de rua seja incluída no próximo censo demográfico do órgão, previsto para sair em 2020.

Segundo os manifestantes, o IBGE alega não possuir uma metodologia para contabilizar esta população. Não possuir esta estimativa, no entanto, impossibilita a criação de políticas públicas realmente eficazes para quem reside nas ruas das cidades brasileiras. A movimentação faz parte da 12ª Ação Nacional Criança Não é de Rua, que é realizada no Recife e em outras 16 capitais do Brasil nesta segunda.

A reportagem entrou em contato com o IBGE para solicitar um posicionamento, mas ainda não recebeu retorno.

Leia também:
População de rua cresce no Recife
Moradores de rua sofrem com falta de abrigo noturno no Recife


Com o tema "Inclusão no censo, já!", o grupo espera ser recebido pela direção estadual do órgão. Panfletos com as informações da campanha são entregues à população. "Esta é uma ação nacional e acontece neste dia porque foi o mesmo em que ocorreu a Chacina da Candelária [23 de julho de 1993]. Estamos entregando um manifesto a todos os funcionários do IBGE, além de panfletos a serem distribuídos à população esclarecendo sobre esta situação que consideramos extremamente preocupante", explicou o articulador da campanha Criança não é de Rua e militante do Movimento Nacional Meninos e Meninas de Rua, João Batista Júnior.

"O IBGE tem 86 anos e afirma que não faz porque não tem metodologia. Isso não existe para um centro de excelência desses, que é reconhecido internacionalmente. Não acreditamos nisso", criticou João Batista. Os dados mais recentes sobre a população de rua em Pernambuco são de 2008, quando a Prefeitura do Recife aplicou uma pesquisa elaborada pelo Ministério do Desenvolvimento Social. A pesquisa anterior data de 1980. "Não temos uma pesquisa nacional. As pesquisas que temos no Brasil são pontuais e de algumas capitais. Como fazer políticas públicas se não temos dados? ", acrescentou João Batista.

Veja também

Joe Biden e Kamala Harris homenageiam 400 mil vítimas da Covid-19 no país
Estados Unidos

Biden e Kamala homenageiam 400 mil vítimas da Covid-19

Presidente do Butantan diz que pandemia em 2021 pode ser pior do que em 2020
Declaração

Presidente do Butantan diz que pandemia em 2021 pode ser pior do que em 2020