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Câncer de pele incide mais no rosto e no pescoço

Neste 'Dezembro Laranja', especialista do Real Hospital Português explica os perigos da doença e dá dicas importantes de prevenção

Cuidados com a saúdeCuidados com a saúde - Foto: Caio Danyalgil/Folha de Pernambuco

Elementos presentes em abundância em tudo que cerca a vida, as cores também se tornaram ferramentas no combate a doenças e transtornos. Ações como "Outubro Rosa" e "Novembro Azul" chamam a atenção da sociedade para a prevenção ao câncer. Assim como este "Dezembro Laranja", mês dedicado aos cuidados para prevenir o câncer de pele, trabalho iniciado em 2014 pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

A tonalidade escolhida, que lembra a sensação de calor, casa bem com o verão no Brasil, onde a incidência de radiação ultravioleta fica mais intensa. O debate chega no início da "Estação do sol", mas tem validade para o ano todo.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), anualmente são diagnosticados 180 mil casos novos da doença no Brasil. “Esse é o câncer mais comum do mundo. Ele acontece por conta de uma divisão celular anormal. Para fins diagnósticos, há dois tipos: os não melanoma e melanoma. O primeiro tem um prognóstico excelente, sendo menos agressivo. O outro é mais raro e pode provocar metástase (disseminação para outros órgãos)”, afirmou o cirurgião de cabeça e pescoço do Real Hospital Português (RHP), André Raposo.

[PODCAST] Jota Ferreira e Denis Araújo conversam com a dermatologista do Real Hospital Português, Laís Andrade



 “O câncer de pele incide mais no rosto e no pescoço por serem as regiões mais expostas ao sol. As pessoas costumam proteger mais braços e pernas, mas esquecem do rosto. Toda a área de pele exposta deve ser cuidada, até mesmo orelhas e lábios. Por isso, é recomendado procurar um cirurgião de cabeça e pescoço, já que essa área possui formação oncológica e, em alguns casos, o câncer pode dar metástase ou necessitar de quimioterapia”, explicou.

Pessoas com pele mais clara, como loiros, ruivos e albinos, além de adultos acima dos 40 anos possuem mais chances de contrair a doença. Por conta da maior quantidade de melanina, negros não se encaixam no grupo de risco. Homens possuem uma tendência levemente superior a ter câncer de pele. Há, também, quem tenha predisposição genética ao problema. “Se a pessoa descobrir qualquer mancha ou nódulo na pele que dure mais do que quatro semanas, com coceira ou sangramento, ela deve procurar um médico", continuou André Raposo.

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O especialista recomendou ações preventivas. "Evitar a exposição ao sol das 10h às 16h, período em que há maior incidência de raios UVB (mais agressivos à pele). Caso seja preciso, a recomendação é usar proteções adequadas, como camisa UV, chapéu, protetor labial e até, em alguns casos, luvas. Pessoas com pele mais clara precisam usar protetores solares com fatores acima de 30”, disse.

O aposentado Ivaldo Barbosa, 83 anos, passou recentemente por uma cirurgia no rosto para extrair nódulos de um câncer de pele do tipo não-melanoma. "Comecei a perceber vários sinais na face, no canto dos olhos, lábios, nariz e, como sou 'galego' e cheio de sarda, eu descobri que estava no grupo de risco. Fui diagnosticado e fiz o procedimento cirúrgico, me recuperando totalmente", ressaltou.

Mesmo com a existência de tratamentos alternativos, com cremes e ácidos, a cirurgia é o caminho mais efetivo para o combate à doença, apontou o cirurgião André Raposo. Ele ainda argumentou que é preciso tornar a discussão sobre os cuidados com a pele cada vez maior. “A falta de informação, principalmente entre a população mais carente, é um risco. Quanto mais atrasado o diagnóstico, maior pode ser a sequela. É preciso alertar para o tema não só no mês da campanha ou durante o verão, mas permanentemente", declarou.

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