Câncer de pulmão é um dos mais letais para homens

Em pacientes masculinos, a incidência é historicamente maior devido à exposição a fatores ambientais e, principalmente, ao tabagismo

Campanha de Fernando Haddad do 2º turno apresenta cores em verde e amarelo para rivalizar com Bolsonaro e atrair outros eleitoresCampanha de Fernando Haddad do 2º turno apresenta cores em verde e amarelo para rivalizar com Bolsonaro e atrair outros eleitores - Foto: Divulgação

 

Esta última terça-feira do Novembro Azul abordamos a questão do câncer de pulmão nos homens dentro da campanha “De mãos dadas pela vida”. A doença é uma das mais letais, se comparada com outras neoplasias do sexo masculino, como próstata, pênis e testículo. Apenas este ano 17.330 homens devem ser acometidos e 14.811 devem morrer.

Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) indicam que, apenas este ano, 28.220 novos casos de neoplasia no pulmão devem ser registrados no Brasil, a maioria em homens: 17.330 (61,4%). Em pacientes masculinos, a incidência é historicamente maior devido à exposição a fatores ambientais e, principalmente, ao tabagismo. Segundo levantamento do Ministério da Saúde, no País 12,8% homens são fumantes, contra 8,3% de mulheres. Se comparado com outros cânceres masculinos, como próstata, testículo e pênis, as projeções de cura dos tumores de pulmão assustam. Apenas 8% dos pacientes conseguem se curar. Está aí o alerta para os cuidados com o órgão, o start de uma vida longe de cigarro e uma visita ao médico.

O pneumologista Murilo Guimarães, do Hospital Universitário Oswaldo Cruz, explica que há vários fatores de risco, incluindo predisposições genéticas, mas o fumo é o elemento causal mais significativo. No sexo masculino as estatísticas são maiores devido ao consumo maior de tabaco. Exposições ambientais ligadas ao trabalho, como radiações e contato com produtos químicos nas indústrias, também contribuem para o aparecimento da doença. Os elementos laborais vêm sendo prevenidos com controles ocupacionais das fábricas, mas contribuíram bastante para que no fim do século 20 o câncer pulmonar se tornasse uma das principais causas de morte evitáveis. “No passado isso influenciou fortemente e pode estar impactando ainda nas estatísticas de hoje. Você não começa a trabalhar na fábrica e daqui a seis meses está com câncer. Isso é uma coisa que requer anos de exposição”, explica.

Na faixa dos 40 anos de idade, ele se torna mais relevante de ser investigado, mas é mais frequente de 60 a 65 anos. Os sinais de alerta podem ser confundidos com os de outras doenças. Por isso é importante estar atento à combinação de vários sinais. “É difícil, porque o sintoma mais frequente é a tosse. Contudo, praticamente qualquer doença tem tosse. É preciso associar outros sintomas como escarro de sangue e dor no tórax. Se for somada perda de peso, o melhor é correr mesmo ao médico”, destaca. O médico indica que os fumantes ou ex-fumantes devem ser os mais precavidos e inserir na rotina avaliações anuais dos pulmões.
Letalidade

A doença é o mais fatal dos cânceres, mas não o mais frequente. Segundo Murilo Guimarães, enquanto na neoplasia de próstata, a mais comum entre os homens, a cura é alcançada em 80% dos casos, no pulmão essa taxa cai para 8%. Muito se deve à falta de efetividade dos atuais tratamentos. Outro ponto complicador está relacionado à chance maior do câncer iniciado no pulmão se espalhar pelo corpo. “O pulmão é o órgão que recebe sangue direto do coração. Pelo pulmão passa tudo o que é sangue do corpo e sai dele igualmente o sangue todo do corpo. Um câncer no pulmão tem alta chance de migrar para outros órgãos. É raríssimo se curar um câncer que seja disseminado”, conta.

Na última semana, a farmacêutica Boehringer Ingelheim lançou nova droga para o câncer avançado de pulmão. A substância age em pacientes com a doença por mutação genética inibindo a progressão em 27% e aumentando em 25% a resposta objetiva.

Diagnóstico

Entre os métodos diagnósticos está a tomografia computadorizada multislice. O radiologista Marcos Miranda Filho, de Lucilo Maranhão Diagnósticos, explica que a TC multislice de baixa dosagem é a mais indicada, mas é muito importante ter atenção aos falso-positivos. “Estudos indicam que em torno de 98% das pessoas terão nódulo pulmonar pequeno solitário ao menos uma vez na vida. Eles geralmente regridem ou podem calcificar. O que nos alerta sobre a possibilidade de câncer é tamanho, quantidade, forma e distribuição dos nódulos”, diz.

 

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