Tribunal do Vaticano

Cardeal acusado de corrupção diz que é vítima de 'massacre midiático'

O cardeal Angelo Becciu, foi o primeiro a comparecer perante o tribunal do Vaticano no julgamento por fraude financeira

Entrada para Congregação para a Doutrina da Fé, o organismo doutrinário do VaticanoEntrada para Congregação para a Doutrina da Fé, o organismo doutrinário do Vaticano - Foto: Vatican News

O cardeal Angelo Becciu, o primeiro a comparecer perante o tribunal do Vaticano, declarou-se inocente nesta quinta-feira (17) em seu julgamento por fraude financeira e garantiu que é vítima de "um massacre midiático". 

"Eu nunca quis que um euro, ou um centavo que eu administrei, fosse desviado, mal utilizado ou destinado a fins que não fossem exclusivamente institucionais", afirmou o religioso perante os juízes. 

O cardeal, que ocupou o cargo de suplente da Secretaria de Estado entre 2011 e 2018, é julgado juntamente com um grupo de nove pessoas, entre empresários e funcionários da Cúria Romana, por corrupção e malversação. 

Destituído pelo papa Francisco do cargo de prefeito da Causa dos Santos, e também do título de cardeal em setembro de 2020, Becciu sustenta que foi vítima de um "massacre midiático sem precedentes", de uma "campanha violenta" destinada a "destruir-lo" com "acusações absurdas, inacreditáveis e monstruosas", disse ele.

"Fui descrito como um homem corrupto, ganancioso por dinheiro e desleal ao papa", lamentou, falando pela primeira vez desde que o julgamento começou em julho. 

Os réus enfrentam vários anos de prisão por fraude, peculato, extorsão, lavagem de dinheiro e abuso de poder em um escândalo que inclui cumplicidade com espionagem, paraísos fiscais e gerou um rombo de milhões de euros nas contas do Vaticano

A obscura compra de um prédio luxuoso em Londres e a rede de empresas e fundos que desestruturaram as finanças da Santa Sé são o eixo central do processo. 

No entanto, nas últimas semanas, o julgamento ficou paralisado por questões processuais, questionando a eficácia das instituições da Santa Sé.

Entre os dez acusados, metade estava a serviço da Cúria Romana e participou da controversa compra do edifício em Londres por cerca de 400 milhões de dólares. 

Para a compra do prédio foram utilizados recursos destinados às caridades pessoais do pontífice, conforme reconhecido pela Santa Sé. 

A aquisição também foi feita por um preço superior ao seu valor real por meio de pacotes financeiros altamente especulativos, com a intermediação de dois empresários italianos residentes em Londres. 

No final de janeiro, o Vaticano concluiu a venda do polêmico edifício londrino, um escândalo que afetou a imagem da Igreja. 

Durante o julgamento, também será analisado o financiamento, de mais de 138 mil dólares, da cooperativa administrada por um irmão de Becciu.

Veja também

Blinken cita 'divergência real' por fala de Lula sobre Israel, mas destaca aliança
POLÊMICA

Blinken cita 'divergência real' por fala de Lula sobre Israel, mas destaca aliança

Medicamento para a asma pode prevenir riscos de alergias alimentares, diz estudo
PESQUISA

Medicamento para a asma pode prevenir alergias alimentares