SAÚDE NO CARNAVAL

Carnaval: 5 dicas para curtir a folia e evitar os riscos do excesso de calor

Se expor muito tempo ao calor, sem sombras, pouca água e uma alimentação não adequada aumenta o risco de insolação, desidratação e exaustão térmica

D´Breck neste domingo do Carnaval 2024 em OlindaD´Breck neste domingo do Carnaval 2024 em Olinda - Foto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

A onda de calor acabou no Brasil. Ao menos por enquanto. Entretanto, nem por isso o calor deu trégua e os termômetros continuam altos. As temperaturas máximas previstas para o feriado de carnaval ultrapassam os 30º: 33º em São Paulo, 32º em Belo Horizonte, 31º em Recife; 37º no Rio de Janeiro; 30º em Salvador e 38º em Porto Alegre.

A sensação térmica certamente ficará muito acima disso, em especial no meio dos blocos, para aqueles que querem curtir o carnaval de rua, o que já indica risco de hidratação, insolação e exaustão térmica.

— Ao se expor muito tempo ao calor, sem sombras, pouca água e uma alimentação não adequada, o corpo pode apresentar dificuldades de equilibrar a temperatura, ocasionando consequências que podem variar de desmaios até outras mais graves como um infarto, AVC ou parada cardíaca — alerta o cardiologista Fernando Costa, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

A tolerância ao calor varia de um indivíduo para outro. No entanto, quando a temperatura do ar supera a do corpo humano, de cerca de 36,5°C, o perigo começa, não importa a idade, a boa saúde ou a tolerância. Acima dessa temperatura, o corpo fica sobrecarregado para se manter em equilíbrio.

O entorno também interfere no risco. Por exemplo, embora o calor seco seja terrível, a umidade é ainda pior pois impede que o suor evapore e regule a temperatura.

— Os mecanismos compensadores do organismo para manter a temperatura externa diante do calor são a vasodilatação periférica e o suor. Em locais úmidos, há menos transpiração, o que aumenta o risco de complicações — explica o médico.

Outros fatores, como aglomerações - o que é bem comum no carnaval - e vestimenta também contribuem para aumentar o risco de problemas de saúde mais sérios decorrentes do calor.

 

— A aglomeração aquece ainda mais o ambiente e roupas com pouca ventilação atrapalham a transpiração — pontua Costa.

A boa notícia é que com alguns cuidados é possível curtir a folia com tranquilidade, sem passar perrengue e prevenir complicações mais sérias de saúde. Confira:

Escolha a fantasia com cuidado
Roupas muito pesadas, abafadas e até na coloração errada, podem aumentar a sensação de abafamento e agravar sintomas de uma exaustão térmica. Tons de preto, vermelho, amarelo e laranja, por exemplo, tendem a reter mais a quentura e podem piorar o hiperaquecimento do corpo.

— Escolha tecidos leves e opte por cores mais refletivas ao sol que não absorvem tanto calor como o branco, violeta, azul, verde-água, ou seja, cores mais frias — orienta o cardiologista.

O médico também sugere não vestir adereços muito pesados ou apertados, principalmente na cabeça. Além disso, durante os períodos mais quentes, é fundamental deixar o corpo suar e não encarar essa reação como algo ruim.

— A transpiração é uma grande aliada para o equilíbrio da temperatura corporal — avalia Costa.

A insolação é o problema mais preocupante associado à exposição ao calor extremo. Por isso, além das medidas acima, não esqueça do protetor solar.

Coma carboidratos
Há quem diga que pular Carnaval gasta mais energia que um treino de atleta. Para quem pretende ficar o dia todo atrás do bloco, não é hora de fazer dieta nem seguir uma alimentação "low-carb". No entanto, ela também precisa ser leve e de fácil digestão.

O médico recomenda uma alimentação rica em carboidrato e açúcar antes e durante a folia para evitar hipoglicemia ou outras complicações. A dica é levar um chocolate ou um doce de leite na pochete ou na bolsa para comer durante o dia, pois essas são "ótimas fontes de reposição rápida de energia”. Mas não abuse na quantidade e sempre converse com seu médico se houver alguma doença subjacente, como diabetes, ou restrição alimentar.

Hidratação é a chave
Beber água durante todo o dia de folia é primordial. O cardiologista recomenda dobrar a quantidade de água ingerida regularmente. Por exemplo, se a pessoa bebe 1,5 litro de água, deve tomar 3 litros.

— A transpiração e o gasto de energia serão maiores e, por isso, é necessário repor.

Bebidas isotônicas também são recomendadas para apoiar na hidratação. Além da água, o indivíduo perde eletrólitos pelo suor e gera desidratação. Vale ressaltar que bebidas alcoólicas não hidratam e pior, causam o efeito oposto. Se houver a ingestão de álcool, é preciso estar ainda mais atento ao consumo de água.

Procure rotas de fuga
Ao chegar no local da folia, sempre analise o entorno do espaço e identifique se existem vias fáceis para sair com tranquilidade, caso seja necessário.

— A dica é ficar nas partes periféricas e nunca no meio, dessa forma, caso sinta algum mal-estar, a saída para um ambiente arejado e vazio estará mais próxima — sugere Costa.

Outra dica é sempre procurar saber onde está a ambulância ou posto médico móvel mais próximo e estar acompanhado de alguém.

Se sentiu mal? Saiba o que fazer
Alguns sintomas que podem indicar desidratação ou exaustão térmica são: sensação de desmaio, dor de cabeça, fraqueza, moleza, visão turva, palpitação, palidez, tremores sem motivos aparentes, náuseas, vômito e frequência cardíaca aumentada.

Se esses sintomas aparecerem não se automedique nem os menospreze. A recomendação é sair imediatamente da multidão, de preferência acompanhado de alguém de sua confiança, e procurar um local arejado, até conseguir atendimento médico.

— Acompanhar os blocos de carnaval é um esforço físico, como ir para a academia. Quando você está na academia, você para um pouco quando está cansado. Essa mesma lógica precisa estar presente no carnaval. Se estiver cansado ou apresentar algum dos sintomas acima, entenda que você tem que dar um tempo e não vá no embalo — explica o especialista.

Se estiver com alguém que desmaiou, não tente levantar a pessoa do chão. Costa orienta pedir para os demais se afastarem e chamar atendimento médico de urgência.

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