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Carnaval de São Paulo cresce e sonha em alcançar o do Rio

Embora com menos prestígio internacional, o Carnaval paulistano registrou um crescimento acelerado nos últimos anos

Foliões participam do desfile de carnaval de rua do grupo "Cordão do Boitatá" no centro do Rio de JaneiroFoliões participam do desfile de carnaval de rua do grupo "Cordão do Boitatá" no centro do Rio de Janeiro - Foto: Pablo Porciuncula / AFP

O Carnaval de São Paulo "é mais organizado e com mais infraestrutura" que o do Rio de Janeiro, reivindica Júnior Dentista, diretor de uma renomada escola de samba da metrópole, que sonha em rivalizar um dia com o grande espetáculo carioca.

Embora com menos prestígio internacional, o Carnaval paulistano registrou um crescimento acelerado nos últimos anos, junto a uma profissionalização dos desfiles no sambódromo do Anhembi.

"O nosso [Carnaval] cresceu muito, tanto financeiramente como no atrativo para pessoas de fora, e virou uma indústria que gera muito emprego direto e indireto", resume à AFP Dentista, diretor da Mocidade Alegre, atual bicampeã de São Paulo.

Apesar da capacidade menor que a da Sapucaí no Rio, o sambódromo paulistano apostará tudo nos desfiles nesta sexta e sábado (28/2 e 1/3), transmitidos ao vivo na televisão e na internet, pouco antes de começarem os do Rio.

Deusdete Gonçalves, de 80 anos e que desfila desde os 52 na Mocidade, reconhece, no entanto, que o Carnaval paulistano ainda está longe da qualidade do Rio. O carioca tem fantasias e coreografias "mais evoluídas", diz.

Cidade "mais humana" 
Além dos desfiles das escolas de samba, o país conta com o Carnaval de rua. Por vários dias e noites, os blocos reúnem milhões de foliões fantasiados em apresentações de música ao ar livre.

E São Paulo afirma liderar o pódio nesse quesito, com um número recorde de 767 blocos de rua inscritos, acima de seus 579 em 2024 e dos 482 do Rio de Janeiro neste ano.

Alê Youssef, cofundador do bloco Acadêmicos do Baixo Augusta - que se apresenta nas redes sociais como "o maior de São Paulo" - assegura que o Carnaval de rua transformou a cidade.

Agora há "uma vida cultural muito rica, que antes ficava dentro das casas e dos clubes", afirma Youssef, de 50 anos, durante um ensaio do bloco diante de seis mil pessoas.

"O Carnaval levou a nossa cultura às ruas e fez uma cidade melhor, mais humana e inclusiva", acrescenta.

A cena paulistana também se destaca por receber a cada ano os blocos mais renomados de todo o Brasil, que se apresentam como convidados.

Se o Carnaval carioca se destaca pela energia dos blocos que tocam entre o público, o de São Paulo tem como protagonistas os trios elétricos: caminhões com potentes equipamentos de som e palcos onde artistas e DJs se apresentam enquanto percorrem as ruas.

Os trios tocam samba, funk, axé, pagode e outros gêneros que atraem um público diverso.

Polêmica declarada 
As autoridades de São Paulo também se encarregam de promover as festividades.

"Tá chegando o maior Carnaval de rua do Brasil!", publicou no início de fevereiro a prefeitura paulistana em suas redes sociais, uma mensagem que provocou reações sarcásticas.

"Melhor que contar... bora mostrar?", respondeu a prefeitura de Olinda, Pernambuco, cidade famosa por seus enormes desfiles de bonecos gigantes.

"Obrigada pela homenagem", ironizou a da vizinha Recife, berço do Galo da Madrugada, o maior bloco do mundo segundo o livro Guinness dos recordes, que em 2023 reuniu 2,5 milhões de pessoas.

No Rio de Janeiro, muitos foliões também gostam de falar mal do Carnaval de São Paulo.

"Aqui é alegria espontânea. Olha esse cenário, essas pessoas, esse astral do Rio! São Paulo não tem isso", opina Monica Ieker, de 50 anos, enquanto celebra o aniversário em um "bloquinho" carioca fantasiada de cogumelo junto às amigas.

Até alguns paulistanos defendem a eterna rival.

"Sou de São Paulo, mas prefiro o Rio: aqui tem praia, embora São Paulo tenha mais blocos", admite Douglas Santos, de 36 anos, coberto de purpurina na praia de Ipanema.

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