Casamento coletivo une mais de 40 casais LGBTI+ no Recife

Mutirão de voluntários em prol do amor conseguiu realizar o sonho do casamento para mais de casais homoafetivos

Mais de 40 casais LGBTI+ se uniram em casamento coletivo no RecifeMais de 40 casais LGBTI+ se uniram em casamento coletivo no Recife - Foto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco

Reafirmar o amor para a sociedade, ter reconhecimento jurídico, oficializar a relação, se unir em matrimônio. Algo que é comum e simples para casais heterossexuais ainda é desafiador para casais LGBTI+. Na noite desta quarta-feira (19), mais de 40 casais homoafetivos participaram da celebração do amor e do reconhecimento social de seus direitos matrimoniais. Realizado no Armazém 21, casa de festas localizada no bairro de Afogados, no Recife, o casamento foi formalizado pelo Juiz de Paz, Dr. Clicerio Bezerra e teve organização coletiva voluntária do Mães pela Diversidade.

O "sim" coletivo, dado ao som da música “Toda forma de amor”, de Lulu Santos, às 20h50 da penúltima quarta-feira do ano, teve um significado de resistência histórica para os casais. “Esse ato conjunto nos dá força para reafirmar que temos os mesmos direitos, independente do 'com quem' você se relaciona”, comentou Bruna Rafaela, uma das noivas da noite. A união de Bruna e Vanessa, sua esposa, só pode ser possível graças ao reconhecimento de casamento entre pessoas do mesmo sexo no Brasil como entidade familiar, existente há apenas sete anos.

Ivan Moraes, vereador do Recife, marcou presença na união coletiva. Para ele, a simbologia do momento era grandiosa e simples ao mesmo tempo. “Isso aqui não tem nada a ver com igreja, não tem nada a ver com fé, não tem nada a ver com concepções transcendentais, isso aqui é um monte de gente que resolveu morar junto e dividir as contas, com todo direito de celebrar", comemorou. 

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Clicerio Bezerra, juiz de paz da ocasião, foi um dos primeiros magistrados a realizar cerimônias homoafetivas no país. Ele, que realizou a primeira união homoafetiva do Norte-Nordeste, em 2011, defende o reconhecimento do amor como parte do direito a ser cidadão. “Num momento em que a intolerância está preponderando, principalmente com relação às orientações sexuais, é importante que as pessoas firmem sua orientação, assumam sua orientação e exerçam sua cidadania”, pontuou o jurista.

Junto ao juiz, participando da organização do evento, a Coordenadora Estadual das Mães pela Diversidade/PE, Gi Carvalho, se emocionou com a quantidade de pessoas atingidas pela iniciativa do casamento coletivo. “Foi um desafio enorme, porque, quando lançamos a campanha, não esperávamos pela quantidade de gente querendo casar, cerca de 140 pessoas entraram em contato com a gente com interesse em casar.”

A festa resultante do trabalho do movimento Mães pela Diversidade, com voluntários parceiros do Espaço Acolher no Estado de Pernambuco, realizada através da parceria com o Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Estadual de Pernambuco, emocionou ao celebrar o direito de amar com reconhecimento da justiça. Madrinha de um dos casamentos, Érica Costa, pontou a importância do reconhecimento dos casais. “Esse casamento tem importância para os futuros casais, para mostrar que existem casais homoafetivos e que eles devem exigir seus direitos, vivenciar a experiência de cidadão como qualquer um”, comentou.

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