Caso Aldeia: filho do médico paga fiança de R$ 5 mil e está em liberdade provisória

Filho mais velho do médico Denirson Paes, morto em maio deste ano, foi liberado na tarde desta sexta-feira (21)

Danilo Paes Danilo Paes  - Foto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

Pouco mais de cinco meses depois de ter sido preso por acusado de participar na morte do próprio pai, o médico Denirson Paes, em maio deste ano, o engenheiro Danilo Paes, de 23 anos, foi liberado nesta sexta-feira (21). A juíza da Primeira Vara Criminal da Comarca de Camaragibe determinou a liberdade provisória a partir do pagamento de fiança, no valor de R$ 5 mil, efetuado na tarde desta sexta, confirmando assim sua liberdade provisória.

De acordo com o advogado de defesa, Rafael Nunes, “A Polícia Civil agiu de forma tendenciosa. Talvez por Danilo ser muito calado ou já ter um histórico de depressão. Mas não há nenhuma evidência contra ele”, explicou. “Eu questionei o investigador na audiência de instrução, para que ele dissesse o que tem de conclusivo contra Danilo. E ele não soube dizer”, ressalta.

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Isso porque, de acordo com Rafael, assim como foi encontrado sangue no quarto do engenheiro, também foi encontrado no quarto de Daniel Paes, 21 anos, irmão mais novo de Danilo e que foi excluído das acusações. “Estavam querendo a todo custo colocar Danilo na cena do crime. Consegui que isso fosse revisto ainda no primeiro grau. Eu perguntei ao investigador o que tinha de conclusivo contra Danilo e ele silenciou. Porque não tem e conseguimos provar isso”, afirma Rafael Nunes.

Na decisão, a juíza explicou que não há motivos para que Danilo continue preso. “Verifico que não se encontram presentes os requisitos que ensejaram a decretação da prisão preventiva, no tocante ao acusado Danilo Paes Rodrigues. Não há neste momento que se falar no mérito do processo, ou seja, se o acusado é inocente ou culpado”, afirmou. “Danilo Paes Rodrigues possui bons antecedentes criminais, personalidade de homem comum, é um jovem universitário que não apresenta qualquer ameaça social, não podendo ser, assim, considerado um agente com alto grau de periculosidade”, explica na decisão, publicada hoje no sistema do Tribunal de Justiça de Pernambuco. “Agora, estou correndo atrás do valor da fiança, para que ele seja liberado ainda hoje”, ressaltou o advogado Rafael Nunes.

Além da multa, Danilo terá que comparecer mensalmente em juízo entre os dias 01 e 05 de cada mês para justificar suas atividades. Também está proibido de manter contato com as testemunhas, deve se recolher no período das 22h às 6h e entregar o passaporte no prazo de cinco dias após sua soltura. Já Jussara segue presa na Colônia Feminina do Recife. Na decisão, a juíza ressalta que a defesa não chegou a pedir a soltura da acusada, que chegou a enviar duas cartas para testemunhas do processo antes das audiências de instrução, ocorridas dos dias 07 e 14 de dezembro, o que ficou configurado como intimidação.

Por insistência da família, a farmacêutica Jussara Rodrigues, de 54 anos, com quem Denirson era casado havia 30 anos, registrou em Boletim de Ocorrência o desaparecimento do marido no dia 20 de junho. Ela alegou que o médico teria viajado para o exterior e que não tinha retornado. A delegada Carmem Lúcia, à frente da Delegacia de Camaragibe, desconfiou do envolvimento dos familiares e solicitou um mandado de busca e apreensão no condomínio de luxo em que eles moravam, o Torquato de Castro, em Aldeia, no dia 04 de julho. Na ocasião, foram encontrados os restos mortais da vítima, dentro de um poço.

Danilo foi levado para o Centro de Observação e Triagem em Abreu e Lima (Cotel) no dia 05 de julho, sob a suspeita de ter auxiliado a mãe no assassinato, esquartejamento e ocultação do cadáver. Jussara também foi presa no mesmo dia e levada para a Colônia Penal Feminina do Recife, onde permanece até hoje. Carlos André Dias, assistente de acusação, disse que vai recorrer da decisão.

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