Caso Artur Eugênio: defesa e acusação expõem argumentos

Cada parte terá 2h30 para fazer suas considerações. Sentença deve ser proferida em seguida

Monster TrucksMonster Trucks - Foto: Divulgação

No quinto e provável último dia do julgamento de dois dos cinco acusados pela morte do médico Artur Eugênio, advogados de defesa e de acusação fazem o embate de argumentos. É provável que, em seguida, a juíza Inês Maria de Albuquerque Alves dê a sentença para Cláudio Amaro Gomes Júnior e Lyferson Barbosa da Silva, ainda neste domingo (25).

Cada parte tem 2h30 para expor sua tese. No caso da defesa, é dada 1h15 para cada defensor - um de cada réu. Em seguida, as partes terão duas horas cada um para fazer a réplica e a tréplica. Então, o conselho do júri tem mais duas horas para se reunir e decidir o veredicto. A previsão é que o julgamento só se encerre entre a meia-noite e 1h da madrugada desta segunda-feira (26).

Argumentação

A sessão começou pouco depois das 10h. A promotora do Ministério Público Dalva Cabral foi a primeira a falar. Durante cerca de 40 minutos, ela ressaltou as qualidades de Artur Eugênio e falou dos acusados, Cláudio Jr e Lyferson.

Segundo a promotora, Cláudio Jr seria um filho problemático, com histórico de envolvimento em uso ilegal de arma de fogo no Rio de Janeiro e em Pernambuco. Ela também detalhou a trama do crime envolvendo Artur Eugênio e falou de outros atos ilícitos cometidos pelos acusados.

A promotora apresentou contradições dos depoimentos dos réus. Ele utilizou vídeos feitos com os depoimentos de testemunhas arroladas durante a produção do inquérito.

O advogado de defesa, Luiz Miguel dos Santos, tentou desqualificar a apresentação da acusação. Disse que a promotora Dalva Cabral fez uso de "tom policialesco e emotivo" para conquistar o júri, formado por seis homens e uma mulher.

A defesa tenta desacreditar os depoimentos das testemunhas de acusação, inclusive do delegado Guilherme Caraciolo, responsável pelas investigações do caso, e o trabalho da perícia, alegando falta de qualificação técnica dos profissionais.

Apesar de não estar sendo julgado, o médico Cláudio Amaro Gomes - que está preso e acusado de ser o mandante do crime - foi elogiado pelo advogado o advogado Luiz Miguel dos Santos, citando inúmeros títulos profissionais dele e os mais de 25 mil procedimentos cirúrgicos que teria feito. A dvogada de defesa de Lyferson, Janicete Paixão Goutard, também se referiu ao médico ao questionar a participação dos acusados no crime. "Será que uma pessoa que salva vidas tem coragem de matar alguém?". Ela reforçou a tese de que Flávio Braz é o culpado.

Na réplica da acusação, a promotora Ana Clésia Nunes afirmou que, ao contrário do que Lyferson disse ontem, sobre o lugar onde estava na provável hora da morte de Artur Eugênio - ele alegou se encontrar com a amante -, o ERB (Estação Rádio Base) da operadora telefônica indicou que ele estava próximo à cena do crime. Finalizando a réplica, a promotora Dália Cabral disse que os réus são culpados e que sairão condenados.

Pedido de anulação

Depois de quase dez horas de julgamento neste domingo, o advogado de defesa, Luiz Miguel dos Santos, pediu, por volta das 20h30, a anulação do júri alegando que foi exibido vídeo editado que, segundo ele, não consta no processo. A promotoria argumentou se tratar de trechos de depoimentos de testemunhas de acusação que já constavam e estavam identificados no processo.

Após análise por quase uma hora, quando o júri popular foi temporariamente suspenso, a juíza indeferiu o pedido ao concluir que no vídeo não constava nova prova, tratando-se de compilação de depoimentos.

Interrogatórios

No sábado (24), os dois réus foram interrogados. Ambos alegaram que quem matou Artur Eugênio foi Flávio Braz, um dos acusados do assassinato e que foi morto numa troca de tiros com a Polícia Militar em 2015.

Entenda o caso

O médico Artur Eugênio de Azevedo, 35 anos, foi assassinado no dia 12 de maio de 2014. O corpo do cirurgião foi encontrado na BR-101, no bairro de Comporta, em Jaboatão dos Guararapes, Região Metropolitana do Recife.

Segundo a denúncia do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), o crime teria sido motivado por desentendimentos profissionais entre Cláudio Amaro Gomes e a vítima. De acordo com os autos, Cláudio Amaro Gomes, apontado como o mandante do crime, teria contado com a ajuda do filho, Cláudio Amaro Gomes Júnior, para executar o plano de homicídio.

Cláudio Júnior teria pagado Jailson Duarte César para contratar outros dois homens – Lyferson Barbosa da Silva e Flávio Braz – para matar Artur Eugênio.

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