Caso Artur Eugênio: filho de médico Cláudio Amaro volta a inocentar o pai

Julgamento segue nesta terça-feira no Fórum de Jaboatão dos Guararapes

Julgamento dos acusados de matar Artur EugênioJulgamento dos acusados de matar Artur Eugênio - Foto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

O julgamento do assassinato do médico Artur Eugênio continuará nesta terça-feira (11), a partir das 8h, no Fórum de Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife. O júri popular é de dois dos cinco acusados pela morte do médico Artur Eugênio de Azevedo Pereira, ocorrido em maio de 2014, após ser sequestrado e executado às margens da BR-101, em Jaboatão, onde o corpo foi encontrado. Enfrentam o júri popular Claudio Amaro Gomes, 60 anos, ex-médico que teve o diploma cassado em abril deste ano e apontado como mandante do crime, e Jailson Duarte César, suspeito de ser intermediário para contratação de demais contatos com os executores.

Nesta segunda-feira (10), foram ouvidos a viúva Carla Ramere; o pai de Artur, Alvino Luiz Pereira; e Cláudio Amaro Junior, já condenado pelo assassinato do médico. Minha expectativa é de que amanhã [terça] a justiça será feita, e o culpado será punido conforme a lei", declarou o pai de Artur Eugênio. A sessãoé presidida pela juíza Inês Maria de Albuquerque Alves e acontece no Fórum de Jaboatão, bairro da Muribeca. O júri é composto por seis homens e uma mulher.

"A defesa dispensou todas as testemunhas e amanhã [terça] será reiniciado o julgamento com o término do interrogatório dos réus, doutor Claúdio Amaro Gomes e Jailson Duarte César", explicou o assistente de acusação do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), Daniel Lima. Após os interrogatórios, serão iniciados os debates. São duas horas para o Ministério Público e o assistente de acusação, e duas horas para a defesa, podendo haver a réplica.

Para Daniel Lima, houve várias contradições na fala de Cláudio Amaro Júnior, que tentou isentar o pai de qualquer envolvimento na morte do médico. "A tese da defesa dele é que quem teve participação foi apenas o filho. Cláudio Amaro Júnior disse que fez isso porque, em duas ocasiões, viu o doutor Artur destratar o seu pai, reclamando de notas do estágio probatório que teriam sido atribuídas a ele. Que Artur teria ameaçado o doutor Cláudio afirmando que ele iria se arrepender destas notas. E, na passarela do Hospital Português, doutor Artur o teria chamado de mau caráter. Cláudio Amaro Jr. diz que esses episódios teriam motivado a ser o mentor do assassinato.”, explicou.

Pela manhã, Daniel Lima disse acreditar na culpa de Cláudio Amaro. "Nós temos certeza de que eles são os autores intelectuais do crime. A prova cabal é motivação. Quais motivos Cláudio Amaro Júnior teria para matar dr. Artur se eles não se conheciam, nunca sequer se falaram?", questiona o advogado. "Durante um mês, pai e filho nunca trocaram uma ligação. Exatamente no dia do assassinato, Cláudio Júnior liga para o pai e ele está no Hospital Português. Dr. Artur está lá no hospital. Depois, às 22h, ele liga novamente para o pai e está na Guabiraba, ao lado de onde o carro de dr. Artur foi encontrado queimado. Ou seja, eles fizeram contato antes e depois do crime. Isso não é coincidência", revelou Daniel Lima.

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Bruno Lacerda, advogado de defesa, acredita que se chegue já neste primeiro dia a uma absolvição de Cláudio Amaro por falta de provas. "Cláudio Júnior viu duas situações de hostilidade da vítima contra o pai e decidiu sozinho fazer o que fez", resumiu.

Os pais da vítima, junto com amigos e familiares, vestiam uma camisa que estampa a foto de Artur Eugênio e frases pedindo justiça. "É uma dor muito grande. Mas confiamos em Deus e acreditamos na justiça da terra. Os culpados serão punidos conforme a lei. É horrível ficar cara a cara com o monstro que mandou matar meu filho e que ainda chora por compaixão", desabafou o pai do médico, Alvino Azevedo.

"Artur não comentava nada com ninguém sobre essas atitudes de Cláudio Amaro. Só dizia que não dava para trabalhar com ele. Meu filho era muito ético. Eu dizia sempre pra ele que quem segura o ser humano são três pilares. Tem que ser honesto, trabalhador e organizado. Quando ele começou a desenvolver esse trabalho, ele foi de encontro a um marginal que é contra tudo isso aí que ensinei, e despertou a inveja. Começou a cavar a própria sepultura", completou Alvino. Ele disse ainda que Cláudio Amaro "fazia as falcatruas dele, usava material inadequado... Meu filho não aguentou e se afastou. Só acreditamos que a justiça na terra será feita. E a justiça divina ele ainda vai pagar".

Maria Evani de Azevedo, mãe de Artur Eugênio, bastante emocionada, disse que o neto ainda chama pelo pai. "Eu queria ter a oportunidade de perguntar a esse senhor se ele já amou na vida. Se ele conheceu o amor. Se ele sabe o que é tirar de uma mãe um filho. Se ele sabe o que é tirar um pai de um filho, que até hoje chama por ele. Se ele não queria matar meu filho, por que ele foi seduzi-lo em São Paulo, duas vezes, onde ele estava tão bem? Para trazer pra o Recife para matá-lo. Só clamamos por justiça. Nada traz a vida dele de volta, mas pelo menos acalma o coração da gente", disse, entre lágrimas. "Dia 12 o filho de Artur completa seis anos e a cada dia fica esperando a volta do pai. Até no cemitério ele quis ir. Ele clama pelo pai. Eles se amavam demais. Por isso que eu queria perguntar a ele se ele sabe o que é o amor, pra ver se ele entende o que é essa ausência, essa dor", ressaltou Maria.

Entenda o caso
O cirurgião Artur Eugênio foi sequestrado na porta de casa e assassinado com quatro tiros, no dia 12 de maio de 2014. O corpo dele foi encontrado no dia seguinte na BR-101, no bairro de Comporta, no município de Jaboatão dos Guararapes, Região Metropolitana do Recife (RMR). Segundo a denúncia do MPPE, o crime teria sido motivado por desentendimentos profissionais entre Cláudio Amaro e a vítima.

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