Caso Betinho: MPPE pede que seja investigado jovem que achou corpo

Professor foi assassinado há quase três anos no apartamento onde morava, no edifício Módulo, no bairro da Boa Vista

Professor BetinhoProfessor Betinho - Foto: Arquivo pessoal

O jovem Raphael Gouveia Thorpe, 23 anos, que encontrou o corpo do pedagogo José Bernardino da Silva Filho, o Betinho do Agnes, no apartamento da vítima, em 16 de maio de 2015, no Centro do Recife, pode ser investigado em um novo esforço da Polícia Civil para descobrir quem foi o responsável pelo homicídio.

O pedido foi feito pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) depois que novas perícias descartaram a presença do estudante Ademário Gomes da Silva Dantas, 21, na cena do crime. Até agora, só Ademário e um colega dele menor de idade haviam sido acusados pelo assassinato, mas o rapaz pode acabar inocentado, uma vez que tanto a defesa como o MPPE pediram a absolvição sumária dele por falta de provas. A Justiça terá entre dez e 30 dias para decidir se livra Ademário da acusação e se acata a solicitação do MPPE para que sejam feitas novas investigações.

O caso foi tratado em uma audiência de instrução e julgamento nessa segunda-feira (29), no Fórum Desembargador Rodolfo Aureliano, no Recife. Em suas alegações finais, a promotora Dalva Cabral disse que "não há qualquer prova" da participação ou autoria de Ademário no crime. Por outro lado, colocou o jovem Raphael Thorpe como "o principal suspeito desses autos" por conta de "todas as papiloscópicas encontradas, pelo cenário do crime, pelos vestígios genéticos (esperma) e pelo uso de drogas". A representante do MPPE criticou também o fato de Raphael não ter sido investigado, "apesar de tanta obviedade", e pediu que a Polícia Civil seja notificada a designar uma força-tarefa para a retomada de todas as investigações que "viabilizem uma resposta adequada e justa perante a família [da vítima] e a sociedade como um todo".

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Na época das primeiras investigações, conduzidas pelo delegado Alfredo Jorge, Raphael e outro jovem conhecido da vítima chegaram a ser ouvidos pela Polícia Civil como testemunhas. Raphael confessou que frequentava o apartamento de Betinho para consumir drogas, mas negou participação no homicídio. A reportagem da Folha de Pernambuco não o encontrou para comentar as declarações dadas pela promotora durante a audiência dessa segunda.

Em nota, a Polícia Civil de Pernambuco informou que "não foi notificada sobre a criação de uma força-tarefa para investigar o Caso Betinho", mas ressaltou que está à disposição do MPPE e da Justiça "para contribuir no que for necessário com o objetivo de esclarecer o caso".

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