BRASIL

Caso Henry: defesa de Jairinho pede o afastamento de juíza

Advogado do ex-vereador acusa magistrada de violar a imparcialidade

Dr. Jairinho Dr. Jairinho  - Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A defesa de Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, preso pela acusação de ter torturado e matado seu enteado, o menino Henry Borel, de 4 anos, entrou com pedido de afastamento da juíza Elizabeth Machado Louro, do caso. Cláudio Delledone Júnior, advogado do ex-parlamentar acusa a magistrada de violar a imparcialidade.

Entre as razões para protocolar o pedido de afastamento está o fato de, em 9 de fevereiro, quando teve uma audiêncisa do caso, a juíza ter se reunido com apoiadores da família de Leniel Borel, pai de Henry. Entre esses apoiadores, segundo a defesa de Jaiirinho estaria Sônia de Fátima Moura, mãe de Eliza Samúdio, que foi morta pelo goleiro Bruno Fernandes. O advogado anexa no documento duas fotos retiradas de uma rede social da mãe de Eliza. Uma delas com a hashtag "Justiça por Henry" e outro ao lado da magistrada.

Outra razão apontada pelo advogado de Jairinho também tem relação com a audiência de 9 de fevereiro. Ele argumenta que na ata ao decidir pela petição protocolada pela defesa que pugnava o adiamento do ato em virtude dos laudos estarem incompletos e ainda por não terem sidos, na sua totalidade, carreado aos autos, a juíza decidiu pela materialidade do caso.

Além disso, teria dito ao fim da audiência que não ouviria perito algum. O advogado de Jarinho argumenta que, dessa forma, a magistrada não permitiu que a defesa do ex-vereador exercesse "a ampla defesa e o contraditório com relação à prova pericial".

Um dos pontos citados também pela defesa de Jairinho foi o fato de a juíza ter comparecido, em 9 de dezembro, ao lançamento do livro "Caso Henry – Morte anunciada: A investigação e os detalhes não revelados da história que chocou o país", da jornalista Paolla Serra, do GLOBO.

Por fim, a defesa argumenta que declarações públicas da juíza, veiculadas na imprensa após a audiência de instrução em julgamento, demonstrariam falta de isenção. E, destaca uma fala em que a magistrada diz que, ao ver o neto de 3 anos pular na cama, ela se lembra de Henry.

"O que se vê é uma clara pré-disposição de Vossa Excelência em apreciar a conduta do excipiente, mesmo sem conhecer a integralidade dos autos, mesmo sem findar toda a primeira fase do rito escalonado do Júri. Há clara incongruência de posturas, algo que denota a parcialidade da nobre magistrada excepta e a sua impossibilidade de seguir presidindo o caso penal em questão", escreveu o advogado na petição.

— Estamos compondo com uma equipe de peritos, assistentes técnicos. Aqueles que a defesa chama para elucidar matérias que não sejam do direito, médicos legistas. Temos peritos de local, peritos de fonética forense, que estão analisando toda a mídia coletada. Estamos em uma fase de investigação judicial. O promotor fórmula uma hipótese acusatória que precisa ser confirmada nos indícios de autoria e na sua materialidade — disse a advogada Flávia Froes, que faz parte da defesa de Jairinho.

O crime aconteceu em março do ano passado e, em abril, Jarinho foi preso preventivamente. Em dezembro, teve seu mandato cassado por unanimidade na Câmara de Vereadores do Rio.

Veja também

Há "boas razões para acreditar" que houve estupros em ataques do Hamas, diz ONU
MUNDO

Há "boas razões para acreditar" que houve estupros em ataques do Hamas, diz ONU

Onda de violência e fuga de prisioneiros mostram domínio das gangues na capital do Haiti
MUNDO

Onda de violência e fuga de prisioneiros mostram domínio das gangues na capital do Haiti