Caso Paulo César Morato sem definição

A federalização não se concretizou, PC não deu coletiva e ofício cita objetos que não chegaram

Filme "Até o último homem"Filme "Até o último homem" - Foto: Divulgação

Mais de um mês após a Polícia Civil concluir os trabalhos periciais sobre a morte do empresário Paulo César Morato, alvo da Operação Turbulência, e a oposição ter protocolado na Procuradoria-Geral da República (PGR) um pedido de deslocamento de competência da Polícia Civil para a Federal, o assunto permanece sem previsão de resolução. Em Brasília o pedido de federalização protocolado pelo deputado estadual Edilson Silva (PSOL) sofre resistência. Nos bastidores, a avaliação é de que a morosidade é decorrente do desgaste político que o andamento do processo no Ministério Público poderia causar ao governo estadual.

Para Edilson, diante dos atropelos das investigações a nível estadual, a mudança de competência se faz imprescindível. No entanto, admite que a questão é delicada. “Compreendo que é forte para o Ministério Público dar sequência à federalização”. Provocado sobre a possível falta de adesão para federalizar o caso, o procurador da República no Estado, Claudio Henrique Dias, disse desconhecer a movimentação.

Paralelo a isso, a coletiva de imprensa que a Secretaria de Defesa Social (SDS) iria realizar para apresentar a conclusão do caso ainda não tem data marcada. Segundo o órgão, a delegada responsável pelo caso, Gleide Ângelo, é a encarregada pela promoção do encontro, e ainda não informou o dia em que apresentará a conclusão do crime.

Considerado testa de ferro de um esquema de corrupção que irrigou campanhas de 2010 e 2014 no Estado, Morato foi encontrado morto no motel Tititi, em Olinda, em 22 de junho, um dia após ter sido deflagrada a Turbulência. Em meio a erros de comunicação e morosidade nas investigações, as perícias realizadas no local e no corpo foram o principal ponto de polêmica na morte do empresário.

As falhas na preservação do local da morte admitidas pela SDS, receberam críticas das associações e sindicatos ligados à segurança pública. Diante dos questionamentos feitos pelo Sindicato dos Policiais Civis do Estado e Associação dos Peritos Papiloscopistas de Pernambuco, o Ministério Público de Pernambuco foi acionado para apurar os procedimentos periciais.

Objetos

Mas os mistérios em torno da morte de Morato continuam. A Folha teve acesso a correspondências trocadas entre a SDS e a Polícia Federal que revelam que dois objetos de Morato encontrados, no Motel Tititi - um períferico de computador e um microchip da OI para telefone celular -não foram entregues pela Polícia Civil aos policiais federais, conforme documento datado do dia 30 de junho.

A ausência do material foi constatada pelo escrivão da PF, Dilton George Lopes de Oliveira, na conferência de recebimento do material apreendido. No ofício, o profissional registrou: “Esclareço que não foi localizado entre os objetos recebidos nesta superintendência o item 16 da relação de bens encaminhados anexo ao ofício 2518/2016, dessa delegacia, a saber:

“16 - 01 (um) periférico de computador e 01 (um) microchip da OI para telefonia celular””, registrou. A PF foi procurada para confirmar se após a data teria recebido os itens solicitados, mas até o fechamento desta edição não teve retorno.

Também procurada, a SDS disse que não iria se pronunciar, e encaminhou a responsabilidade de uma declaração oficial para a delegada responsável pelo caso, Gleide Ângelo, que não foi localizada.

Os materiais aos quais se referia o escrivão da PF foram enviados, no dia 23 de junho, segundo revela ofício encaminhado pelo delegado da PC, Diogo Melo Victor, coordenador da Força Tarefa de Homicídios, que descreve a lista dos bens apreendidos no local da morte. Ao todo, 28 itens constavam na lista. O docu­mento não especifica que tipo de periférico estava em posse de Morato.

Veja também

Geraldo Julio sanciona projeto que proíbe acúmulo de função de motoristas e cobradores
Transporte

Geraldo Julio sanciona projeto que proíbe acúmulo de função de motoristas e cobradores

Hospital de Bonsucesso será reaberto parcialmente após incêndio
Rio de Janeiro

Hospital de Bonsucesso será reaberto parcialmente após incêndio